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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Conheça a seleção - San Marino, o pior futebol do mundo

Coluna publicada originalmente na Trivela.

O que têm em comum Samoa Americana, Anguilla, Ilhas Cook e Guam, todos pequenos arquipélagos do Caribe e da Oceania, com San Marino, república minúscula incrustada no nordeste da Itália? Eles dividem a mesma posição no ranking da Fifa: a última. Zerados em pontos, essas seleções representam algo como o submundo do futebol. E se todas possuem um nível parecido, o rótulo de pior futebol do planeta pode cair sobre quem está a mais tempo nesta posição: San Marino é quem tem mais experiência em estar entre os mais fracos.

Fundada em 1931, a federação nacional é uma das mais antigas da Europa. Entretanto, além de algumas edições esporádicas da Coppa Titano, existiu apenas no papel até 1985, quando finalmente começou a organizar o campeonato nacional e formar de fato uma seleção, que só estreou oficialmente em 1990, perdendo para a Suíça por 4 a 0 nas Eliminatórias para a Euro-92. Apesar da história ainda curta para os padrões do futebol, se comparado com os países que estão no mesmo nível San Marino evoluiu quase nada até aqui.

Pé-de-obra escasso

Investimentos têm sido feitos para se tentar mudar essa realidade. Só a Fifa, através de seu projeto “Goal”, aplicou US$ 1,5 milhão na construção de uma nova sede para a federação nacional e de um campo oficial de grama sintética para treinamento das categorias de base. Além disso, um acordo permitiu que equipes juvenis e juniores do país disputem campeonatos na Itália e outros vizinhos na tentativa de melhorar o nível da geração futura, já que não há competições nacionais de base.

Contudo, o que falta mesmo a San Marino é material humano. Estimativas para 2008 apontam a população local com aproximadamente 30 mil pessoas, o equivalente a uma pequena cidade brasileira. Já os 61 km² da área total da república são menores que a maioria dos municípios brasileiros. Seria como se a seleção brasileira tivesse de ser formada apenas com os jogadores nascidos na cidade baiana de Nazaré das Farinhas, terra natal de Vampeta. Se conseguir atletas com tão escassas opções já é difícil, imagine então encontrar ao menos alguns com qualidade.

E tem sido assim, pequeno e com poucos habitantes, há muito tempo. San Marino é a república mais antiga do mundo, instituída no ano de 301, após conquistar a independência do Império Romano. Marino, escultor procedente da ilha de Rab, atual Croácia, se instalou na região enquanto fugia da perseguição religiosa imposta pelo imperador Diocleciano. A Constituição que determinou o regime de república parlamentarista foi promulgada em 1600, e é a que está a mais tempo em vigência no planeta.

Santo de casa não faz milagre

Mas não apenas em sua história política San Marino detém recordes de longevidade. A seleção azul celeste levou quatorze anos (ou 64 jogos) para alcançar a primeira vitória: o triunfo sobre Liechtenstein por 1 a 0, no dia 28 de abril de 2004 transformou-se quase em feriado nacional. Andy Selva, autor daquele gol, é o maior artilheiro de todos os tempos, com sete tentos marcados. Ele é, de fato, o único sammarinense a ter marcado mais de uma vez. Mas como a partida era apenas amistosa, os primeiros três pontos em competições oficiais ainda estão por vir.

Desde que se afiliou à Fifa e à Uefa, em 1988, San Marino participou de todas as Eliminatórias, tanto para Copas do Mundo quanto para Eurocopas. O retrospecto, no entanto, é desanimador: as derrotas são tão freqüentes que empates, mesmo dentro de casa, são comemorados. Desde sua estréia, nas preliminares para a Copa dos Estados Unidos, foram dois em 26 jogos. O saldo geral impressiona: 151 gols negativos.

Ao menos, é de San Marino o gol mais rápido da história das Eliminatórias para a Copa. Em 1993, contra a Inglaterra, Davide Gualtieri abriu o placar aos oito segundos – o que não foi suficiente, afinal os ingleses venceram por 7 a 1. A reputação da equipe é tão ruim que quando conquistou seu primeiro empate fora de casa, 1 a 1 com a Letônia em Riga, nas Eliminatórias para 2002, o técnico Gary Johnson foi demitido no vestiário pela federação leta.

Mas o panorama não parece ser de evolução. Nas Eliminatórias para 2006, a equipe voltou a perder todos os jogos e, no qualificatório para a Euro 2008, bateu outro recorde negativo: a derrota por 13 a 0 para a Alemanha foi a maior da história do torneio continental. Até no ranking da Fifa a colocação já foi melhor: em 1993, após um empate com a Turquia, apareceu na 118ª posição.

Campeonato amador

A falta de jogadores afeta a seleção e, por tabela, também o campeonato nacional. Organizado a partir de 1985, possuía duas divisões até 1996, quando foi reestruturado. Os quinze times são divididos em dois grupos, e os três melhores de cada chave participam do torneio play-off que decide o campeão. Tre Fiori e Domagnano são os maiores campeões, com quatro títulos cada, mas o SS Murata, da capital, é o atual tricampeão.

Os alvinegros foram primeiro time do país a disputar a Liga dos Campeões, na temporada passada, e ganharam as manchetes após contratarem o zagueiro brasileiro Aldair, que jogará mais um campeonato. Recentemente, a Societá convidou Romário e até Schumacher, mas não teve sucesso.

Percebe-se logo que o sammarinense é ainda um campeonato amador. Por questões de espaço, os times não possuem estádio próprio e as rodadas acontecem nos seis campos existentes no país. Os jogadores, em sua maioria, também são amadores – as exceções atuais são Andy Selva e o goleiro da seleção, Aldo Simoncini, que joga no San Marino Calcio, equipe fundada pela federação e que disputa a Série C2 italiana.

Em 2006, a federação elegeu Massimo Bonini como o maior jogador da história do país. Único atleta a jogar uma final de Copa Européia, defendeu a Juventus de 1981 a 88 e as seleções de base da Itália. Quando San Marino se afiliou à Uefa, passou a jogar por sua terra natal, mas já havia encerrado a carreira profissional. O zagueiro Mirco Gennari é quem mais vestiu a camisa azul celeste, com 48 partidas entre 1992 e 2003.

Nas Eliminatórias para 2010, San Marino terá pela frente República Tcheca, Polônia, Irlanda do Norte, Eslováquia e Eslovênia. Em seu nível, um grupo dificílimo até mesmo para alcançar o objetivo traçado pelo técnico Giampaolo Mazza, que na verdade trabalha como professor de educação física: conquistar a primeira vitória em competições oficiais. Para quem tem o pior futebol do mundo, isso será mais valioso do que qualquer conquista.

San Marino

Nome da federação: Federazione Sammarinese Giuoco Calcio
Ano de fundação: 1931
Copas do Mundo disputadas: 0
Eliminatórias disputadas: 4 (1994, 1998, 2002 e 2006)
Resultados em eliminatórias: 0V, 2E, 24D; 7 GP, 158 GC
Melhor resultado na Eurocopa: Nunca disputou
Principais clubes do país: Tre Fiori (Fiorentino), Domagnano (Domagnano), Faetano (Faetano), Folgore/Falciano (Serravalle), Murata (San Marino).
População: 29.973 (215º) – Dados de 2008
Posição no ranking da Fifa: 200º (agosto/2008)

sábado, 9 de agosto de 2008

Conheça a seleção - Taiwan


Se desenvolver o futebol já é difícil para muitos países estabelecidos, para um que ainda luta pelo reconhecimento de sua identidade é quase um desafio. É neste contexto que está inserido o futebol de Taiwan, ilha no sudeste asiático que, apesar de sua prosperidade econômica, ainda enfrenta dura resistência da China quanto à sua independência. E para piorar o quadro, existe até mesmo quem defenda a reunificação, aumentando a instabilidade e as incertezas – que acabam por se refletir no esporte.

Originalmente parte do Império Chinês, Taiwan foi cedido ao Japão após a derrota na guerra sino-japonesa, voltando ao comando da China após a Segunda Guerra Mundial. Em maio de 1950, com a derrota das forças nacionalistas pelos comunistas, liderados por Mao Tse-Tung, o governo deposto partiu para Taiwan, estabelecendo a “República da China” na ilha, vista até hoje pela China continental, governo instituído, como uma província rebelde.

Confira a íntegra na Trivela

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Conheça a seleção - Iêmen


Convido a acessarem uma colaboração especial para a Trivela sobre o Iêmen, mais uma dentre tantas seleções desconhecidas no mundo do futebol.

O texto completo você confere aqui.



É inevitável: quando se fala em árabes e no Oriente Médio, as imagens que vêm à mente são de desertos e monarcas poderosos graças ao petróleo. Mas um pequeno país ao sul da Península Arábica tenta fugir do estereótipo e se firmar política e economicamente na região. Trata-se do Iêmen, uma república parlamentarista de economia predominantemente rural e agrícola, por possuir ao norte uma das áreas mais férteis do Oriente Médio.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Conheça a seleção - Ilhas Virgens Britânicas


Convido a acessarem uma colaboração especial para a Trivela sobre as Ilhas Virgens Britânicas, mais uma dentre tantas seleções desconhecidas no mundo do futebol.

O texto completo você confere aqui.

Quantas seleções no mundo podem comemorar a própria desclassificação de uma eliminatória para a Copa do Mundo? Ainda mais se ela vier após dois empates fora de casa com Bahamas, 178º colocado do ranking da Fifa? Certamente, poucas. Mas há quem comemore – e muito. Mesmo eliminadas, as Ilhas Virgens Britânicas, que aparecem 15 postos abaixo dos Baha Boyz no ranking da Fifa, acabaram de conquistar na última semana seus dois primeiros pontos em competições oficiais.

Pouco importa o fato de que o adversário utilizou uma equipe composta basicamente por jogadores que disputaram a fase preliminar do Pré-Olímpico no ano passado. Importa menos ainda que a classificação, antes sonho distante, esteve a um gol de distância. Completos azarões, os Nature Boyz comemoraram como se fosse uma final de Copa do Mundo, ao som do fungi, o ritmo local.

Também, pudera. A seleção é composta inteiramente por amadores, já que não existe futebol profissional nas 54 ilhas que formam o arquipélago. Difícil imaginar investimentos no futebol de um país que nem é país – como diz o nome, é um território britânico.