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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

História das Copas - Alemanha 1974 (parte I)

A Alemanha, sede da Copa de 74, havia sido escolhida como organizadora do evento pela primeira vez em 1942, mas por causa da II Grande Guerra, só sediou a competição 28 anos depois, aproveitando os investimentos feitos para as Olimpíadas de 1972, em Munique, da mesma maneira que o México fizera anos antes.

Após a Copa de 70, uma nova taça deveria ser feita para substituir o Troféu Jules Rimet, que ficou sob posse definitiva do Brasil (mas não por muito tempo, pois foi roubado da sede da CBD e nunca mais achado. Diz-se que o troféu foi derretido pelos ladrões e transformado em peças de ouro, ao passo que a FIFA cedeu uma réplica, dessa vez somente banhada a ouro, para a sala de troféus brasileira). A nova Taça, chamada de Taça FIFA, foi esculpida pelo italiano Silvio Gazzaniga e marcou novas transformações no futebol mundial, com a eleição do brasileiro João Havelange, então presidente da CBD, como novo chefe da entidade.

A novidade começava no modo de disputa. Em vez do tradicional sistema de quartas de final, os 8 classificados se dividiriam novamente em dois grupos, cujos vencedores fariam a final. Outro fator interessante para os brasileiros é que essa foi a primeira Copa a ser transmitida totalmente ao vivo e em cores para o país tricampeão do mundo.

O Brasil novamente não teve de disputar as eliminatórias. Seus vizinhos Argentina e Uruguai juntaram-se ao Chile e foram os representates da América do Sul, enquanto que o Haiti protagonizou uma incrível surpresa ao derrotar o México, conquistando a vaga. O Zaire ficou com a vaga africana e a Austrália derrotou a Coréia do Sul para garantir a vaga disputada entre Oceania e Ásia.

Na Europa, algumas surpresas: a Inglaterra foi eliminada pela Polônia, Portugal pela Bulgária e a Espanha pela Iugoslávia. A Alemanha Oriental classificou-se pela primeira vez, justamente para a Copa que queria ajudar a sediar, mas não houve acordo. Após anos de brigas desde a separação que ocorreu depois da Segunda Guerra, uma trégua permitiu que os `orientais` acompanhassem os jogos e entrassem na Alemanha Ocidental. A surpresa foi enorme quando, no sorteio das chaves, ambas as seleções caíram no mesmo grupo. Um encontro tenso e aguardado estava marcado.

A preparação do Brasil para a Copa de 74 foi tensa. Carlos Alberto, Pelé, Tostão e Gérson haviam se aposentado e Jairzinho e Rivelino tomaram a frente de uma seleção que mesclava velhos craques com jovens talentos. Os resultados não agradaram e a seleção chegou desacreditada.

A Copa de 74 inaugurou uma tradição que foi abolida na última Copa, exatamente na Alemanha: o campeão passou a fazer o jogo de abertura. Coube ao Brasil estrear essa honra, porém o resultado foi decepcionante: 0 a 0 contra a Iugoslávia. Até a Copa de 2002, a última em que o jogo de abertura foi dessa forma, apenas a Alemanha em 94 e o Brasil em 98 venceram seus jogos. Mas zebras à parte, o Brasil também não saiu do zero em sua segunda partida, contra a Escócia, resultado do futebol defensivo adotado por Zagallo.

Apenas na terceira e última rodada da primeira fase, precisando desesperadamente de uma vitória por 3 a 0 para não depender do resultado do jogo entre Iugoslávia e Escócia para se classificar, o Brasil foi para o ataque contra a frágil seleção do Zaire e venceu exatamente por 3 a 0, com gols de Jairzinho, Rivelino e Valdomiro, este a 11 minutos do fim. No sufoco, o Brasil passava para a próxima fase em segundo, atrás dos iugoslavos.

Nos outros grupos, a Alemanha Ocidental perdeu para a Alemanha Oriental num jogo muito esperado, ficando em segundo lugar, atrás dos orientais. Na época, rumores davam conta de que os alemães ocidentais perderam o jogo para escapar do grupo da Holanda na próxima fase, que àquela altura já era considerava favorita ao título.

E por falar na Holanda, apesar do empate em 0 a 0 com a Suécia, o time do técnico Rinus Michels fez história na Alemanha. Com um futebol envolvente chamado pelo técnico de futebol total, os holandeses ganharam os apelidos de "carrossel holandês", já que nenhum jogador possuía posição fixa no campo, e "laranja mecânica", pela facilidade com que os envolventes ataques estraçalhavam as zagas adversárias. Foi assim contra o Uruguai na estréia (vitória por 2 a 0) e contra a Bulgária (4 a 1). Os holandeses assumiam o posto de principais favoritos ao título.

Finalizando, no grupo 4 a Itália deu vexame e foi eliminada ainda na primeira fase. Após vencer a fraca seleção haitiana na estréia por 3 a 1, empatou com a Argentina em um gol e perdeu para a Polônia, voltando para casa mais cedo. Os poloneses tinham um time forte, cujo expoente era o atacante Lato, que se tornaria artilheiro da Copa, e venceram as três partidas da primeira fase, incluindo a goleada de 7 a 0 sobre o Haiti.

Ficariam, então, assim definidos os grupos da segunda fase: no grupo A, Brasil, Alemanha Oriental, Holanda e Argentina; no grupo B, Alemanha, Polônia, Suécia e Iugoslávia. Os times jogariam entre si e os vencedores fariam a final.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Portugal ou Alemanha - quem fica de fora da Copa?


Um dos grandes baratos da Copa do Mundo são os recordes, tabus, histórias e...superstições. Várias teorias tentam explicar a ordem dos eventos dos Mundiais, algumas com coincidências impressionantes, e todas, na maioria, muito curiosas.

Uma das mais famosas era a pirâmide dos campeões, que tinha como pico a Itália de 1982 - a partir daí, as Copas tinham o mesmo campeão andando uma edição para frente ou para trás (Argentina campeã em 1978 e 1986; Alemanha campeã em 1974 e 1990; Brasil campeão em 1970 e 1994). Havia até a exceção que comprovava a regra: em 1996 e 1998, edições opostas segundo a pirâmide, o campeão era o país da casa (Inglaterra e França). Mas a teoria ruiu em 2006, quando a regra mandaria o Brasil vencer novamente - e todos sabemos o que aconteceu.

A nova "maldição" que surge assombra portugueses e alemães, e tem se comprovado desde a Copa de 86: a cada edição, um dos perdedores da semifinal anterior sequer se classifica para a Copa.

No Mundial do México, a França de Platini foi eliminada pela Alemanha e sequer se classificou para a Copa de 90, ficando atrás de Iugoslávia e Escócia nas Eliminatórias.

Na Itália, a Inglaterra de Gascoigne perdeu a vaga na final apenas nos pênaltis, mas uma campanha ruim, que contou com derrotas para Holanda e Noruega, fez o time da rainha assistir a Copa de 94 pela telinha.

A Copa dos Estados Unidos teve Suécia e Bulgária como grandes surpresas. Os suecos deram trabalho para o Brasil duas vezes, mas falharam ao se classificar para a Copa da França num grupo que tinha Áustria e Escócia.

A maldição continou e a Holanda, que perdeu a decisão do terceiro lugar para a incrível Croácia, perdeu jogos-chave para Irlanda e Portugal e não participou da Copa de 2002.

Nosso último exemplo é a Turquia: após surpreender e chegar à semifinal no Oriente, perdeu a vaga na Copa da Alemanha numa turbulenta repescagem contra a Suíça.

Sendo assim, Alemanha e Portugal têm muito com o que se preocupar, afinal foram os perdedores da semifinal de 2006. Apesar dos alemães liderarem o Grupo 4 com certa tranquilidade, têm ainda um confronto direto com a Rússia em Moscou e, caso saiam derrotados, podem enterrar uma campanha sólida arriscando-se na repescagem.

Mas o perigo ronda mesmo a seleção portuguesa. Após amargar três empates sem gols em casa com Dinamarca, Albânia e Suécia, os lusitanos viram a Dinamarca se distanciar na liderança do Grupo 1 e têm, nesta quarta, o primeiro de uma série de três jogos decisivos. Para conseguirem chegar à repescagem, precisam vencer a Hungria duas vezes e Malta dentro de casa, além de torcer por pelo menos um tropeço dos suecos, que visitam hoje a fraquíssima Malta e jogam ainda contra dinamarqueses e albaneses.

Sem contar que, pela sequência, a ordem do eliminado se alterna: em uma Copa, é o terceiro lugar; em outra, o quarto. Se a tendência se confirmar, é a vez do quarto lugar em 2006. Exatamente Portugal, país do melhor jogador do mundo em 2008, candidatíssimo a próxima vítima da maldição da decisão do terceiro lugar.

Confira quem sucumbiu à maldição:

1990 - França (3º em 1986)
1994 - Inglaterra (4º em 1990)
1998 - Suécia (3º em 1994)
2002 - Holanda (4º em 1998)
2006 - Turquia (3º em 2002)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Eliminatórias - Setembro - Europa

46 jogos movimentam o Velho continente nos próximos dias, e mais seleções podem juntar-se à Holanda, que já carimbou o passaporte em junho. Confira os jogos:

Grupo 1

Classificação

1. Dinamarca...16 (6J)
2. Hungria.....13 (6)
3. Portugal.....9 (6)
4. Suécia.......9 (6)
5. Albânia......6 (8)
6. Malta........1 (8)

Jogos
05/09 - Hungria x Suécia / Dinamarca x Portugal
09/09 - Malta x Suécia / Albânia x Dinamarca / Hungria x Portugal

Grupo 2

Classificação
1. Grécia......13
2. Suíça.......13
3. Letônia.....10
4. Israel.......9
5. Luxemburgo...4
6. Moldávia.....1

Jogos
05/09 - Moldávia x Luxemburgo / Suíça x Grécia / Israel x Letônia
09/09 - Israel x Luxemburgo / Moldávia x Grécia / Letônia x Suíça

Grupo 3

Classificação

1. Eslováquia.........15 (6J)
2. Irlanda do Norte...13 (7)
3. Eslovênia..........11 (7)
4. Polônia............10 (6)
5. República Tcheca....8 (6)
6. San Marino..........0 (8)

Jogos
05/09 - Polônia x Irlanda do Norte / Eslováquia x República Tcheca
09/09 - República Tcheca x San Marino / Irlanda do Norte x Eslováquia / Eslovênia x Polônia

Grupo 4

Classificação
1. Alemanha.......19 (7J)
2. Rússia.........15 (6)
3. Finlândia......10 (6)
4. País de Gales...9 (7)
5. Azerbaijão......1 (6)
6. Liechtenstein...1 (6)

Jogos
05/09 - Rússia x Liechtenstein / Azerbaijão x Finlândia
09/09 - Liechtenstein x Finlândia / País de Gales x Rússia / Alemanha x Azerbaijão

Grupo 5

Classificação
1. Espanha...18
2. Bósnia....12
3. Turquia....8
4. Bélgica....7
5. Estônia....5
6. Armênia....1

Jogos
05/09 - Armênia x Bósnia / Turquia x Estônia / Espanha x Bélgica
09/09 - Bósnia x Turquia / Armênia x Bélgica / Espanha x Estônia

Grupo 6

Classificação

1. Inglaterra...21 (7J)
2. Croácia......14 (7)
3. Ucrânia......11 (6)
4. Belarus.......9 (6)
5. Casaquistão...3 (7)
6. Andorra.......0 (7)

Jogos
05/09 - Ucrânia x Andorra / Croácia x Belarus
09/09 - Andorra x Casaquistão / Belarus x Ucrânia / Inglaterra x Croácia

Grupo 7

Classificação
1. Sérvia.......18 (7J)
2. França.......13 (6)
3. Lituânia......9 (7)
4. Áustria.......7 (6)
5. Romênia.......7 (6)
6. Ilhas Faroe...1 (6)

Jogos
05/09 - Áustria x Ilhas Faroe / França x Romênia
09/09 - Ilhas Faroe x Lituânia / Romênia x Áustria / Sérvia x França

Grupo 8

Classificação
1. Itália......14 (6J)
2. Irlanda.....13 (7)
3. Bulgária.....8 (6)
4. Chipre.......5 (6)
5. Montenegro...4 (6)
6. Geórgia......3 (7)

Jogos
05/09 - Bulgária x Montenegro / Chipre x Irlanda / Geórgia x Itália
09/09 - Montenegro x Chipre / Itália x Bulgária

Grupo 9

Classificação
1. Holanda.....21 (7J)
2. Macedônia....7 (6)
3. Escócia......7 (6)
4. Noruega......6 (6)
5. Islândia.....4 (7)

Jogos
05/09 - Escócia x Macedônia / Islândia x Noruega
09/09 - Escócia x Holanda / Noruega x Macedônia

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

História das Copas - México 1970 (parte II)

Quartas-de-final

O jogo contra o Peru, embora encarado com certa tranqüilidade por alguns jogadores devido à fragilidade do adversário, era considerado de vida ou morte por outros, pois o técnico peruano, Didi, havia tecido críticas ao estilo de jogo brasileiro.

Entretanto, a partida em si não foi nem um pouco tensa. Logo aos 15 minutos, Rivelino e Tostão já havia aberto 2 a 0 no placar. O Brasil passou então a administrar o resultado. Os peruanos diminuíram mas Tostão marcou de novo; Cubillas conseguiu fazer o seu, mas Jairzinho fechou a contagem em 4 a 2 e o Brasil passava às semifinais sem dificuldades.

Nos outros jogos, o México saiu na frente mas não agüentou a pressão italiana, cujo ataque finalmente desencantou e marcou quatro. Uruguai e União Soviética fizeram um jogo medíocre, com os uruguaios marcando o único gol da partida já no final da prorrogação. Totalmente diferente foi o confronto entre Inglaterra e Alemanha. Os alemães não haviam digerido ainda a derrota para os ingleses na final da Copa de 66 e foram atrás da vingança.

Sob um sol escaldante, a Inglaterra abriu 2 a 0 no início da segunda etapa com Mullery e Peters, reforçando o discurso que haviam apresentado até então de que estavam apenas esperando o adversário da final. Entretanto, os alemães não estavam entregues. Beckenbauer diminuiu e Uwe Seeler empatou a nove minutos do fim. Novamente, como há quatro anos, haveria prorrogação. E foi na prorrogação que a história mudou, com Müller fazendo o gol da vitória dos alemães. A ausência de Gordon Banks, que sofrera uma intoxicação alimentar na véspera da partida, foi muito sentida pelos ingleses. Pela primeira vez na história das Copas, as semifinais apresentavam apenas seleções que já haviam conquistado a taça.

Semifinais

O Brasil venceu o Uruguai por 3 a 1, mas o jogo foi muito mais apertado do que o placar. Cubilla abriu o placar aos 19 minutos do primeiro tempo, com a ajuda de Félix: o atacante chutou torto mas pegou o goleiro no contrapé e a bola entrou. Os uruguaios montaram então uma fortíssima retranca, a qual os brasileiros tinham dificuldade em furar. Clodoaldo empatou já no fim da primeira etapa, tranqüilizando os brasileiros.

No segundo tempo, o Brasil foi subindo de produção até que Jairzinho virou aos 31 e Rivelino deu números finais ao placar aos 44. Nesse jogo, uma cena histórica: Pelé é lançado e, com uma de corpo genial, passa pelo goleiro Mazurkiewicz por um lado enquanto a bola vai pelo outro. Pelé corre então atrás da bola, chuta e ela, caprichosamente, sai rente à trave, para alívio do zagueiro Ancheta, que correi desesperadamente para evitar o gol. Mas o Brasil já estava classificado para a terceira final em quatro Copas.

A semifinal entre Itália e Alemanha foi tão sensacional que é considerada por muitos (principalmente na Europa, nem tanto no Brasil) como a melhor partida da história das Copas, o duelo de campeões foi recheado de momentos de emoção. Enquanto que, na primeira fase, os alemães possuíam uma campanha exemplar, com vitórias incontestáveis, a Azzurra havia se arrastado para chegar às quartas. Aí os papéis se inverteram, com a Itália goleando o México e a Alemanha sofrendo para vencer a Inglaterra. Mas vamos ao jogo.

A Itália abriu o placar aos 7 minutos num chute de Bonisegna se trancou na defesa esperando a Alemanha que, por sua vez, temia o contra-ataque. Beckenbauer comandava todas as ações mas os alemães não conseguiam furar o bloqueio italiano. Foi só aos 44 minutos do segundo tempo que Schnellinger empatou, aproveitando um cruzamento da esquerda. Na prorrogação, um show de futebol.

Aos 4 minutos, Müller vira; aos 8, Burgnich empata; Riva dá novamente a liderança à Itália aos 13; Müller empata aos 4 do segundo tempo e, no minuto seguinte, Rivera recebe passe de Bonisegna, que fez grande jogada, e deu números finais ao placar: 4 a 3. Beckenbauer disputou metade do segundo tempo e a prorrogação inteira com o braço atado junto ao corpo, após uma queda. Toda a garra alemã não foi suficiente para vencer esta que foi uma das partidas mais memoráveis da história das Copas.

A final

"Noventa milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração". Essa era a música que embalava a torcida brasileira durante a Copa do Mundo, e ela nunca esteve tão certa como naquele 21 de junho de 1970. O mundo parou para acompanhar a final de Copa do Mundo que daria ao vencedor o direito de posse definitiva da Taça Jules Rimet. Quem saísse tricampeão do Estádio Azteca ficaria para sempre com aquele troféu.

O Brasil, com Félix, Brito, Piazza, Everaldo e Carlos Alberto; Clodoaldo, Gerson, Rivelino e Pelé; Tostão e Jairzinho entrou em campo diante de 107 mil espectadores para enfrentar a Itália, que havia vencido a Alemanha em uma semnifinal espetacular. Ainda no primeiro tempo, Pelé abriu o placar de cabeça. Uma falha de Clodoaldo provocou uma sucessão de erros da defesa, deixando a bola livre nos pés do italiano Boninsegna que completou para o gol vazio.

A superioridade do Brasil era evidente e, no segundo tempo, os gols foram surgindo. Gerson fez dois a um aos 20 minutos num chute forte cruzado ameia altura, colocado no canto esquerdo do goleiro Albertosi. Aos 32, Gerson fez um lançamento preciso do meio de campo, colocando a bola na cabeça de Pelé, dentro da área. Pelé tocou para a finalização atabalhoada de Jairzinho. Jair passaria para a história das Copas por ter marcado em todos os jogos do Brasil no torneio. Para completar a festa brasileira, aos 42 minutos, o capitão Carlos Alberto completava para o fundo da rede italiana um passe de Pelé. Os italianos foram derrotados por um dos melhores times de todos os tempos, consagrado por imprensa e torcedores de todo o mundo.

Depois da final, o técnico da equipe da Tchecoeslováquia, que tinha sido muito criticado pela derrota para o Brasil na estréia disse: "Agora o mundo compreende a razão de termos perdido de quatro a um. Ninguém vence esse time do Brasil." Após a festa e a invasão do gramado pela torcida, o capitão Carlos Alberto levantou a taça Jules Rimet que seria levada em definitivo para o Brasil.

IX COPA DO MUNADO - 1970 - MÉXICO
Campeão: Brasil
Vice: Itália
Terceiro: Alemanha
Quarto: Uruguai

Período: de 31 de maio a 21 de junho de 1970
Total de jogos: 32
Gols marcados: 95
Média de gols: 2,97 por partida
Artilheiro: Müller (Alemanha Oc.) - 10 gols
Público total: 1.585.400 pagantes
Média de público: 49.543 pagantes

O Brasil: CAMPEÃO - 6 jogos (6V), 19GP/7GC

jogos: Primeira fase: Brasil 4x1 Tchecoslováquia (Rivelino, jairzinho(2) e Pelé; Petras)
Brasil 1x0 Inglaterra (Jairzinho)
Brasil 3x2 Romênia (Pelé (2) e Jairzinho; Dumitrache e Rembrovsky)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Eliminatórias - agosto

Oito jogos aquecem as Eliminatórias nesta semana para a grande rodada de setembro, quando vários classificados serão conhecidos. Por enquanto, ficamos com o início do returno na Concacaf e jogos esporádicos na Europa. Confira:

Concacaf

Classificação


1. Costa Rica.........12
2. EUA................10
3. Honduras............7
4. México..............6
5. El Salvador.........5
6. Trinidad & Tobago...2

6ª rodada

12/08 - México x EUA / Honduras x Costa Rica / El Salvador x Trinidad & Tobago

Não houve descanso para as seleções da Concacaf desde a última rodada, em junho. Os Estados Unidos fizeram uma campanha surpreendente na Copa das Confederações e, em seguida, veio a disputa da Copa Ouro. Com os jogos deste mês envolvendo as quatro equipes que têm demonstrado real possibilidade de classificação, os jogos prometem muita emoção.

Apenas duas semanas depois, os yankees buscam a revanche diante dos mexicanos após a histórica goleada por 5 a 0 na decisão do torneio continental. Por mais que estivesse desfalcado, o time de Bob Bradley destruiu toda a boa imagem criada durante a Copa das Confederações, e deve novamente provar seu valor. Agora, com as principais estrelas, os EUA tentam um feito inédito: jamais venceram no estádio Azteca.

Em San Pedro Sula, mais do que três pontos, vale a rivalidade de dois vizinhos que historicamente brigam pela supremacia da região. Após classificar-se para as duas últimas Copas, Costa Rica ofuscou Honduras, mas com uma campanha surpreendente, os Catrachos estão no páreo. A dúvida que permanece é até que ponto os conflitos políticos no país afetarão a partida. Caso vençam, os hondurenhos ficarão muito próximos de, ao menos, garantir uma vaga na repescagem.

Finalmente, El Salvador recebe Trinidad & Tobago para continuar sonhando - o que não parece de todo impossível, afinal basta uma vitória sobre os lanternas e uma derrota hondurenha para Costa Rica, resultado normal, para assumirem o quarto posto. Uma derrota significa o adeus ao sonho da vaga, e um empate faria os dois times morrerem abraçados.

Europa

São cinco jogos, todos por grupos diferentes. Confira:

Grupo 3 - Eslovênia x San Marino

Um jogo que aparentemente vale pouco, afinal qualquer coisa que não seja uma vitória eslovena será muita surpresa. E como o time de Matjaz Kek tem remotas chances de ficar na primeira colocação, os três pontos a se conquistar podem não valer de nada, já que na definição dos melhores segundos colocados para a repescagem, os pontos dos jogos contra os lanternas são descartados. O destaque é o atacante Zlatko Dedic, que após uma temporada na Série B italiana acertou com o Bochum para a disputa da Bundesliga.

Grupo 4 - Azerbaijão x Alemanha

Pouca emoção deve despertar este grupo, ao menos até o duelo entre Rússia e Alemanha no dia 10 de outubro, valendo carimbo no passaporte. Miroslav Klose se recuperou de lesão e está confirmado para a partida, assim como o capitão Michael Ballack, que perdeu o vôo até Baku por ter chegado atrasado ao aeroporto. Provável vitória alemã, que tem o segundo melhor ataque do continente.

Grupo 6 - Belarus x Croácia

Em um grupo que possui a Inglaterra como virtual classificada, a briga é pelo segundo lugar. Croácia e Ucrânia duelam gol a gol pela vaga na repescagem, e um tropeço em Minsk pode significar uma ausência pela primeira vez desde a estreia em 1998 para os croatas. A grande atração é o retorno de Eduardo da Costa ao time quadriculado, após a lesão que o afastou por um ano dos gramados. Ele chegou a jogar contra Andorra, mas ficou de fora da partida diante da Ucrânia por causa de uma fisgada na coxa. Belarus ainda tem chances, já que se vencer iguala-se em número de jogos a croatas e ucranianos e fica com 12 pontos, um a mais que os adversários.

Grupo 7 - Ilhas Faroe x França

Um jogo com cara de goleada para reaproximar a seleção francesa de seus torcedores. A distância para a Sérvia é tão grande que, mesmo que somem três pontos e vençam o confronto direto com os líderes em setembro, os Bleus ainda ficarão a um ponto dos sérvios. Por isso, com a repescagem já parecendo realidade, a vitória é imperativa contra uma das seleções mais fracas do continente.

Grupo 9 - Noruega x Escócia

A partida que mais poderia ser uma batalha medieval entre vikings e escotos é a que tem mais valor nesta rodada, exatamente pelo fato de que a líder Holanda já está classificada e todos no grupo ainda têm chances de ficar com a segunda posição. Vale lembrar, entretanto, que por ser o único grupo com cinco times, a regra da pontuação contra o lanterna não se aplica - o que muitas vezes acaba sendo prejudicial para os sorteados na chave. Apesar do equilíbrio, a Escócia é quem tem a posição mais favorável, com sete pontos e jogos a menos que os outros concorrentes. Caso perca para a Noruega, ainda continuará em segundo, mas corre-se o risco de não avançar ninguém mais desta chave.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ranking da Fifa - agosto

O mês foi de férias para quase todas as seleções. Quase porque a Concacaf movimentou a bola na América do Norte, Central e Caribe com mais uma edição da Copa Ouro. A goleada mexicana sobre os Estados Unidos chocou o mundo do futebol, especialmente após as exibições recentes das duas seleções, mas o torneio serviu também para promover as principais movimentações do ranking nesta última atualização.

O Canadá, que surpreendeu ao vencer seu grupo, caiu ainda nas quartas-de-final, mas foi quem mais subiu no período: 26 posições, chegando ao 66º lugar - mais até que o México, campeão, que subiu apenas três. Os Canucks, entretanto, já estão fora da briga por uma vaga na Copa e dificilmente superarão em breve a melhor posição da história - o 40º posto em dezembro de 1996.

Também foi no continente que as maiores quedas foram registradas. Granada e Antilhas Holandesas caíram 25 lugares cada, indo respectivamente à 113ª e 165ª colocações. Os granadinos até forma longe, chegando à fase final da Copa Ouro, mas a desvalorização de pontos anteriores pesou mais - além do fato de terem perdido os três jogos sem marcar um gol sequer.

Nas primeiras posições, Brasil, Espanha e Holanda se mantêm no Top 3, mas a Alemanha ultrapassou a Itália e aparece no quarto lugar. Até o 19º lugar, nenhuma mudança. O Paraguai voltou ao Top 20, ultrapassando Uruguai e República Tcheca.

A próxima edição do Ranking - que servirá para definir os cabeças-de-chave da Copa do Mundo, em dezembro - será divulgada em 02 de setembro.

Confira as primeiras posições:

terça-feira, 4 de agosto de 2009

História das Copas - México 1970 (parte I)

O Brasil não encontrou dificuldades em sua preparação para a Copa, derrotando seus adversários nas eliminatórias por placares mais que convincentes, uma vez que o futebol apresentado também era de grande qualidade. No comando da seleção estava João Saldanha, cronista esportivo convidado a dirigir o time por João Havelange, presidente da CBD.

Entretanto, apesar dos bons resultados, Saldanha brigou com os dirigentes e não convocou o atacante Dario, do Atlético-MG, time do General Médici, causando descontentamento e, após um empate com o Bangu em um jogo-treino, sua demissão foi anunciada. Zagallo assumiu o comando da equipe, mas o futebol que se via não era o mesmo. A seleção chegava, assim, um tanto quanto desacreditada ao Mundial.

Na estréia, contra a Tchecoslováquia, uma virada para impôr respeito: Petras abriu o placar logo aos 11 minutos, resultado da pressão tcheca, mas Rivelino empatou 13 minutos depois. O Brasil administrou o jogo e Pelé ampliou aos 14 do segundo tempo. Os tchecos se perderam em campo e Jairzinho fez mais dois, para completar a fatura.

Tostão foi escalado apesar das críticas que diziam que, após o desvio de retina que ele sofrera numa partida do campeonato brasileiro, ele estaria acabado para o futebol. Entretanto, o cruzeirense jogou bem e não saiu mais do time. Nessa partida, um lance antológico: Pelé, ao ver o goleiro Viktor adiantado, chutou do meio do campo. O guarda-metas correu de volta para o gol, mas a bola passou rente à trave. Foi o quase-gol mais bonito da história das Copas.

No jogo seguinte, o Brasil enfrentou a Inglaterra, adversário feroz que tornou o jogo muito difícil. Gérson não jogou por problemas musculares e, quando o placar ainda estava no zero, o goleiro inflês Gordon Banks proagonizou a defesa mais conhecida da história do futebol, ao espalmar uma cabeçada `indefensável` de Pelé. O gol só saiu no segundo tempo, após grande jogada de Tostão, que tocou para Pelé servir Jairzinho.

Já classificado, o Brasil jogou contra a Romênia buscando a vitória para permanecer na cidade de Guadalajara até a final. E foi uma luta para conseguir a vitória, pois os romenos montaram uma forte retranca. Rivellino estava fora dessa vez, mas Pelé acabou com o nervosismo ao marcar de falta aos 20 minutos do primeiro tempo. Jairiznho ampliou ainda antes do intervalo, dando mais tranqüilidade ao escrete canarinho. Na segunda metade, Dumitrache diminuiu em falha da zaga, mas antes que os romenos pudessem esboçar uma reação, Pelé marcou novamente. Dembrovski ainda descontou, mas a vitória já era brasileira.

A comoção do povo mexicano para organizar as Olimpíadas de 68 e a Copa de 70 foi tão grande que, impulsionado pela sua torcida, o time mexicano passou pela primeira vez à segunda fase da Copa, deixando de lado o estigma de saco de pancadas da Copa. Os `ticos`, como eram chamados, pegaram um grupo mediano, empatando sem gols contra a União Soviética, goleando os fracos El Salvadorenhos e conquistando a classificação numa suada vitória de 1 a 0 sobre a Bélgica, com gol de pênalti. Esta foi a primeira Copa dos mexicanos sem o goleiro Carbajal, que em 66 estabelecera um recorde ainda inalcançado: foi o jogador que atuou em mais Copas do Mundo: 5, de 1950 a 1966. Na Copa de 70, Carbajal foi convocado para a reserva como homenagem.

No Grupo 2, a Itália classificou-se sem muito alarde, vencendo a Suécia pela contagem mínima e empatando sem gols contra Uruguai e Israel. O Uruguai, que perdeu para a Suécia, classificou-se nos critérios de desempate, mandando os suecos de volta para casa.

No grupo 4, a Alemanha venceu os 3 jogos e despachou logo seus adversários. A briga pela segunda vaga ficou entre peruanos, búlgaros e marroquinos, mas o time comandado pelo brasileiro Didi, bicampeão em 58 e 62, cujo astro maior era o atacante Cubillas, não deu chances e venceu a Bulgária por 3 a 2 e o Marrocos por 3 a 0, garantindo a vaga nas quartas-de-final para enfrentar o Brasil. Os outros jogos das quartas-de-final seriam Uruguai x União Soviética, Itália x México e Alemanha x Inglaterra.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

História das Copas - Inglaterra 1966 (parte II)

Ao se classificar para enfrentar Portugal, a sensação da Copa, a Coreia do Norte já havia conquistado um grande feito, e muitos imaginavam que pararia por ali. Mas não foi o que os coreanos queriam: logo a um minuto de jogo, Seung Zin Pak abriu o placar, espantando a todos. Mas isso não era tudo: Li e Yang ampliaram para uma surpreendente vantagem de 3 a 0.

O time português parecia liquidado, mas dois gols de Eusébio, um de pênalti quando o primeiro tempo já terminava, animaram novamente os lusitanos, que voltaram com tudo para o segundo tempo e jogaram uma partida memorável, virando o placar para 5 a 3, um dos maiores jogos de todos os tempos. Acabava ali a aventura norte-coreana.

Nos outros jogos, a Alemanha não teve dificuldades para massacrar o Uruguai por 4 a 0, diferente dos donos da casa, que só marcara um gol na Argentina a 12 minutos do fim. No outro jogo das quartas-de-final, a União Soviética venceu a Hungria por 2 a 1 em uma partida muito truncada. Os portugueses enfrentariam agora os anfitriões em uma semifinal, enquanto que os alemães duelariam contra os soviéticos.

O encanto português acabou na semifinal, ao perder por 2 a 1 para os ingleses, em um jogo onde Eusébio pouco apareceu, apsar de ter marcado o gol de honra de pênalti já no fim do jogo. A Inglaterra enfrentaria na final a Alemanha, que derrotou a União Soviética de Lev Yashin pelo mesmo placar, com gols de Haller e Beckenbauer. Portugal ainda contentou-se com o terceiro lugar, liderado novamente pelo craque Eusébio, que marcou um gol na vitória por 2 a 1 sobre os soviéticos.

No dia 30 de julho, 93 mil espectadores aguardavam pela final, que não decepcionou a ninguém pela emoção. Haller abriu o placar para os alemães quando o jogo mal começara e logo depois Hurst empatou. Já no final do segundo tempo, Peters virou para os ingleses, levando o público ao delírio. Mas a Alemanha empatou quando o jogo já terminava. Uma prorrogação tensa aguardava a todos. Hurst marcou um dos gols mais polêmicos da história das Copas: a bola bateu no travessão e caiu em cima da linha.

O juiz suíco Gottfried Dientz, após titubear um pouco, confirmou o gol inglês, levando os alemães ao desespero e esfriando seus ânimos. A Alemanha não conseguiu mais reagir, e Hurst marcou ainda mais um gol, confirmando o título dos inventores do futebol em seu próprio templo.

VIII Copa do Mundo - 1966 - Inglaterra

Campeão: Inglaterra
Vice: Alemanha
3º: Portugal
4º: União Soviética

Período: de 11 a 30 de julho de 1966
Total de jogos: 32
Gols marcados: 89
Média de gols: 2,78 por partida
Artilheiro: Eusébio (Portugal) - 9 gols

Público total: 1.614.677 pagantes
Média de público: 50.459 pagantes

O Brasil: 11º lugar - 3 jogos (1V e 2D), 4GP/6GC
Jogos: Primeira fase: Brasil 2x0 Bulgária (Pelé e Garrincha)
Brasil 1x3 Hungria (Tostão; Bene, Farkas e
Brasil 1x3 Portugal (Rildo; Eusébio (2) e Simões)

domingo, 3 de maio de 2009

História das Copas - Chile 1962 (parte II)

Quatro anos depois do primeiro empate em 0 a 0 da história das Copas, Brasil e Inglaterra se enfrentavam novamente. Dessa vez, entretanto, o placar foi bem diferente. O Brasil deu show, principalmente com Zito e Didi no meio-campo e Garrincha no ataque, que marcou o primeiro gol aos 32. Quatro minutos depois, os ingleses empataram com Hitchens, mas Vavá, aos 9 da segunda etapa, e Garrincha novamente aos 14, acabaram com as esperanças dos ingleses: Brasil 3 a 1.

Nos outros jogos das quartas de final, a Iugoslávia, campeão olímpica dois anos antes em Roma, venceu a Alemanha por 1 a 0; a Tchecoslováquia derrotou uma decadente Hungria pelo mesmo placar e os donos da casa eliminaram a União Soviética de Yashin por 2 a 1.

Nas semifinais, o encontro mais esperado: Brasil e Chile. Os anfitriões estavam empolgados com a vitória sobre os soviéticos e anunciavam uma comemoração da vitória regada a café brasileiro, produto muito exportado na época. Garrincha mais uma vez comandou o time e o Brasil venceu sem dificuldades, por 4 a 2. O Mané das pernas tortas abriu o placar logo aos 9 minutos e ampliou a vantagem aos 32. Toro diminuiu já perto do intervalo, mas tão logo reiniciou-se a segunda etapa, Vavá marcou mais um. Os chilenos voltaram a diminuir com o artilheiro Leonél Sanchéz, de pênalti, mas a 12 minutos do fim, Vavá sepultou qualquer esperança de um empate, ao aproveitar cruzamento de Garrincha. O Brasil estava na final novamente e os chilenos, mesmo derrotados, apoiariam o Brasil na final, tamanho era o deslumbramento que o futebol canarinho despertava nas pessoas.

O outro finalista seria a Tchecoslováquia, que derrotou os iugoslavos por 3 a 1 em um jogo de público fraquíssimo para uma semifinal: 5 mil pessoas. Os campeões olímpicos dominaram a maior parte das ações do jogo, mas os tchecos abriram o placar com Kadraba logo no início da segunda etapa. Jerkovic empatou e, quando o jogo já rumava para a prorrogação, Scherer marcou duas vezes para sacramentar a classificação theca.

Na decisão do terceiro lugar, os 67 mil chilenos que lotaram o estádio Nacional em Santiago vibraram com a vitória por 1 a 0 sobre a Iugoslávia, gol marcado por Rojas, aos 45 do segundo tempo. No dia seguinte, eles lotariam novamente o mesmo estádio, dessa vez para torcer para o Brasil, mesmo eles tendo sido eliminados pelos brasileiros.

O jogo foi movimentado, com chances para os dois times e marcação cerrada por parte dos tchecos no meio-de-campo. Mas Garrincha & cia conseguiram furar o bloqueio, embora tenha sido Masopust, aos 15 minutos, quem abriu o placar. Sem se abater, o brasil empatou dois minutos depois com Amarildo, virando o jogo na segunda etapa, com Zito e Vavá. O apito final do juiz soviético Nickolaj Latychev selou o bicampeonato do Brasil, que foi recebido com muita festa na volta para casa.

VII Copa do Mundo - 1962 - Chile

Campeão: Brasil
Vice: Tchecoslováquia
3º: Chile
4º: Iugoslávia

Período: de 30 de maio a 17 de junho de 1962 
Total de jogos: 32 
Gols marcados: 89 
Média de gols: 2,78 por partida 
Artilheiros Jerkovic (Iugoslávia), Leonel Sanchez (Chile), Albert (Hungria), Ivanov (URSS), Garrincha e Vavá (Brasil) - 4 gols

Público total: 896.363 pagantes 
Média de público: 28.011 pagantes

O Brasil: CAMPEÃO - 6 jogos (5V e 1E), 14GP/5GC
Jogos: Primeira fase: Brasil 2x0 México (Zagallo e Pelé)
Brasil 0x0 Tchecoslováquia
Brasil 2x1 Espanha (Adelardo; Amarildo (2))
Quartas-de-final: Brasil 3x1 Inglaterra (Garrincha (2) e Vavá; Hitchens)
Semifinal: Brasil 4x2 Chile (Garrincha (2) e Vavá (2); Toro e Leonel Sánchez)
Final: Brasil 3x1 Tchecoslováquia (Amarildo, Zito e Vavá; Masopust)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Craques das Copas - Gerd Müller


Não só o nome Gerd Müller é ainda sinônimo de atacante por excelência como também seu recorde permanece imbatível até hoje: o atacante do Bayern de Munique marcou 365 gols em 427 partidas no campeonato alemão e 68 em 62 jogos pela seleção, números milhas distantes dos outros jogadores.

O início da carreira foi de superação. Após jogar por 9 anos nas categorias de base do pequeno TSV Nördlingen, time de sua cidade natal, e, aos 16 anos, já atuar no time titular (tendo marcado 180 gols após profissionalizar-se), foi contratado pelo Bayern de Munique, naquela época renegado à segunda divisão. O técnico Zlatko Cajkovski, quando viu o jogadr pela primeira vez, brincou: "O que é que eu posso fazer com um levantador de peso?". De fato, as pernas curtas de Müller não combinavam bem com o resto do seu corpo, forte e "em forma de barril", como brincavam seus companheiros. Müller teria que provar seu valor com gols.

E foi o que ele fez na sua estréia contra o Freiburg, após amargar o banco por dez rodadas. Marcando dois gols, Müller calou o técnico e fez as fundações de uma carreira sólida e vencedora. Em 1965, juntamente com o goleiro Sepp Maier e com o `Kaiser` Franz Beckenbauer, levou o time à primeira divisão e, no primeiro ano na Bundesliga, já terminaram em terceiro. Em 69, ajudou o time a conquistar seu primeiro título alemão, fato que se repetiria depois em 72, 73 e 74. Sem ele, as glórias do Bayern seriam inconcebíveis, uma vez que Müller foi o artilheiro do time em todas as temporadas em que esteve no clube, por 15 anos. Além disso, foi artilheiro do campeonato alemão por 7 vezes. Com tal desempenho, era apenas uma questão de tempo para que ele fosse convocado para a seleção alemã.

O técnico Helmut Schön convocou-o pela primeira vez em 66, após a derrota na final da Copa para a Inglaterra. Não demorou muito para que fosse efetivado ao time titular e, também na seleção, provou ter um faro de gol incomparável: marcou 68 gols em 62 partidas pela seleção e foi o artilheiro da Copa de 70, com 10 gols. Marcou três gols em duas oportunidades e, na semifinal contra a Itália, fez 2. Em 72, foi fundamental para a conquista da Eurocopa e, em 74, alcançou a glória final com a conquista da Copa do Mundo em sua terra natal. Desta vez ele não foi o artilheiro, mas seus quatro gols bastaram para que ele alcançasse a marca que perdurou até 2006 de maior artilheiro de todas as Copas, com 14 gols marcados. O mais especial deles foi exatamente o último, o gol da virada na final contra a Holanda.

Müller deixou a seleção precocemente, logo após a conquista do Mundial, com 28 anos. Na época, o motivo mais comentado era de que a decisão era uma represália à proibição da participação das esposas na festa de comemoração do título, algo que teria desagradado muito o atacante, que desmente tudo.

Cinco anos depois, assinou um lucrativo contrado com o Fort Lauderdale Strikers, dos Estados Unidos, onde ele jogou pela primeira vez contra seu grande companheiro no ex-clube, Beckenbauer, que jogava no New York Cosmos. Depois, jogou mais uma temporada no Smith Brothers Lounge, um time pequeno também dos Estados Unidos, onde encerrou sua carreira. Lidar com o fim dela, entretanto, foi um problema. Müller, que estava acostumado com os holofotes, não aceitava voltar ao anonimato e caiu no alcoolismo, separando-se da esposa. Felizmente, seus ex-companheiros de Bayern de Munique o ajudaram a passar por essa fase e hoje ele é técnico das divisões de base do Bayern, além de ter sido o embaixador de Munique para a Copa de 2006.

Nome: Gerhard `Gerd` Müller
Data de nascimento: 03/11/1945
Local: Nördlingen, Alemanha

Carreira:

Em clubes:
365 gols em 427 jogos no campeonato alemão (recorde)
1955 a 1964: TSV Nördlingen 
1964 a 1979: Bayern München 
1979 a 1981: Fort Lauderdale Strikers 
1981 e 1982: Smith Brothers Lounge

Na seleção:
68 gols em 62 jogos (10 na Copa de 70 (artilheiro); 4 na Copa de 74 - o segundo maior artilheiro da história das Copas)

Títulos:
Campeão Mundial em 1974
Campeão da Eurocopa em 72
Tetracampeão alemão (1969, 1972, 1973 e 1974)
Tricampeão da Copa Européia de Clubes (1974, 1975 e 1976)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Review das Eliminatórias - Europa

Concluímos agora o review dos jogos de março e abril pelas Eliminatórias. Como são nove grupos na Europa, vamos aos números para não tornar este post mais enorme do que já deve ser.

Grupo 1

Resultados
Malta 0x3 Dinamarca / Albânia 0x1 Hungria / Portugal 0x0 Suécia
Hungria 3x0 Malta / Dinamarca x Albânia

Classificação
1. Dinamarca...13 (5J)
2. Hungria.....13 (6)
3. Portugal.....6 (5)
4. Suécia.......6 (4)
5. Albânia......6 (7)
6. Malta........1 (7)

Próximos jogos
06/06 - Suécia x Dinamarca / Albânia x Portugal
10/06 - Suécia x Malta

Portugal continua dando mostras das dificuldades que enfrenta na era pós-Felipão: mais um empate sem gols com a Suécia (o terceiro no total) e os lusos já estão a sete pontos da Dinamarca, que tem o mesmo número de jogos. Para piorar, o confronto direto já aconteceu em Lisboa, e os dinamarqueses venceram por 3 a 2. Se serve de consolo, os escandinavos ainda enfrentam duas vezes os vizinhos suecos - que nos pontos perdidos estão à frente dos portugueses, já que possuem um jogo a menos - e nos confrontos diretos a diferença pode diminuir. Os jogos-chave serão contra a surpreendente Hungria, que também tem 13 pontos, mas já jogou duas vezes contra Albânia e Malta. O momento de provar seu valor será agora, contra os times mais fortes. A Dinamarca é favorita, mas o grupo ainda está aberto.

Grupo 2

Resultados

Luxemburgo 0x4 Letônia / Moldávia 0x2 Suíça / Israel 1x1 Grécia
Letônia 2x0 Luxemburgo / Suíça 2x0 Moldávia / Grécia 2x1 Israel

Classificação
1. Grécia......13 (6J)
2. Suíça.......13 (6)
3. Letônia.....10 (6)
4. Israel.......9 (6)
5. Luxemburgo...4 (6)
6. Moldávia.....1 (6)

Próximos jogos
05/09 - Israel x Letônia / Moldávia x Luxemburgo / Suíça x Grécia
09/09 - Moldávia x Grécia / Letônia x Suíça / Israel x Luxemburgo

Por pouco não foi uma rodada perfeita para a Suíça: duas vitórias frente a Moldávia e um empate entre gregos e israelenses, mas no segundo jogou a Grécia venceu. Ao menos, a derrota para Luxemburgo já é passado e na próxima rodada o confronto direto que vale a primeira colocação acontece na Basiléia - que não será um território nada neutro. Caso tropece novamente, a Suíça terá que torcer para a Moldávia ultrapassar Luxemburgo na classificação, já que os resultados contra o lanterna são descartados na definição dos segundos colocados que disputam a repescagem. Israel já parece fora da mesa e até a Letônia, com duas vitórias sobre Luxemburgo, entrou no páreo.

Grupo 3

Resultados
Irlanda do Norte 3x2 Polônia / Eslovênia 0x0 Rep. Tcheca
Irlanda do Norte 1x0 Eslovênia / Polônia 10x0 San Marino / Rep. Tcheca 1x2 Eslováquia

Classificação
1. Irlanda do Norte...13 (7J)
2. Eslováquia.........12 (5)
3. Polônia............10 (6)
4. Rep. Tcheca.........8 (6)
5. Eslovênia...........8 (6)
6. San Marino..........0 (6)

Próximos jogos
06/06 - Eslováquia x San Marino
12/08 - Eslovênia x San Marino

Na chave que promete mais emoções até o final, a Irlanda do Norte conseguiu duas vitórias importantes e segue na ponta, mas tem apenas mais três jogos a realizar, contra cinco da Eslováquia, com um ponto a menos e favorita à vaga, pelo menos no retrospecto. A vitória fora de casa contra a República Tcheca mostrou a força do time de Skrtel, zagueiro do Liverpool, e Sestak, um dos artilheiros do continente. Mostrou, também, que dificilmente os vizinhos e ex-compatriotas tchecos estarão na África do Sul, após um empate com a vice-lanterna Eslovênia. Já a Polônia segue irregular: perdeu para a Irlanda do Norte mas aplicou a maior goleada das Eliminatórias européias até aqui, com os 10 a 0 sobre San Marino. Mas como o principado será o laterna, de pouco valeram os quatro gols de Smolarek se os poloneses ficarem em segundo.

Grupo 4

Resultados

País de Gales 0x2 Finlândia / Rússia 2x0 Azerbaijão / Alemanha 4x0 Liechtenstein
Liechtenstein 0x1 Rússia / País de Gales 0x2 Alemanha

Classificação
1. Alemanha.......16 (6J)
2. Rússia.........12 (5)
3. Finlândia.......7 (4)
4. País de Gales...6 (6)
5. Azerbaijão......1 (4)
6. Liechtenstein...1 (5)

Próximos jogos
06/06 - Finlândia x Liechtenstein / Azerbaijão x País de Gales
10/06 - Finlândia x Rússia

A Polônia marcou dez em um jogo só e chegou a 18, mas está empatada com a Alemanha como melhor ataque do continente. Com um gol de Ballack em cada jogo, os alemães conquistaram duas vitórias tranquilas e seguem bem à frente da Rússia de Guus Hiddink, que também venceu as duas e agora tem uma difícil partida fora de casa contra a Finlândia, única que pode ameaçar a dupla. Se os favoritos continuarem nesta toada, o jogo decisivo deverá ser na penúltima rodada, quando a Rússia recebe a Alemanha e, em caso de vitória, pode se classificar e mandar os tricampeões para a repescagem. Entretanto, as duas seleções deverão estar na Copa.

Grupo 5

Resultados

Armênia 2x2 Estônia / Bélgica 2x4 Bósnia / Espanha 1x0 Turquia
Estônia 1x0 Armênia / Bósnia 2x1 Bélgica / Turquia 1x2 Espanha

Classificação
1. Espanha...18 (6J)
2. Bósnia....12 (6)
3. Turquia....8 (6)
4. Bélgica....7 (6)
5. Estônia....5 (6)
6. Armênia....1 (6)

Próximos jogos
05/09 - Turquia x Estônia / Espanha x Bélgica / Armênia x Bósnia
09/09 - Espanha x Estônia / Bósnia x Turquia / Armênia x Bélgica

Abram alas para a melhor seleção do mundo. A Espanha demonstrou novamente sua força ao bater a Turquia por duas vezes e manter os 100% de aproveitamento. A vitória em Istambul foi a mais impressionante, por ter saído no final do jogo e ter sido de virada. Muito pode-se dizer que os adversários são fracos e que na Copa a Fúria se acalma, mas o primeiro teste verdadeiro virá na Copa das Confederações. Enquanto isso, a Bósnia faz campanha incrível ao derrotar a Bélgica duas vezes - com um sonoro 4 a 2 em Genk. Edin Dzeko, do Wolfsburg, marcou três vezes nos dois encontros e lidera a artilharia europeia com sete gols (o time é também um dos com melhor ataque, com 18 marcados). É um time com jogadores interessantes que pode dar trabalho na repescagem - e as chances de chegar lá são grandes, pois fazem o confronto direto com a Turquia em casa.

Grupo 6

Resultados
Inglaterra 2x1 Ucrânia / Casaquistão 1x5 Belarus / Andorra 0x2 Croácia

Classificação
1. Inglaterra...15 (5J)
2. Croácia......10 (5)
3. Ucrânia.......7 (4)
4. Belarus.......6 (4)
5. Casaquistão...3 (5)
6. Andorra.......0 (5)

Próximos jogos
06/06 - Belarus x Andorra / Croácia x Ucrânia / Casaquistão x Inglaterra
10/06 - Ucrânia x Casaquistão / Inglaterra x Andorra

Outra seleção que faz campanha irretocável é a Inglaterra. Comandada por Gerrard e Lampard, venceu a Ucrânia por 2 a 1 com alguma dificuldade, devido à incrível série de contusões de seus atacantes que aconteceu na goleada por 4 a 0 sobre a Eslováquia num amistoso dias antes da partida. A vitória, aliás, mostra a força do English Team, sobre uma das seleções mais emergentes do continente. A Croácia também segue firme, e joga em casa contra a Ucrânia, na próxima rodada, para assegura de vez a vaga na repescagem.

Grupo 7

Resultados
Romênia 2x3 Sérvia / Lituânia 0x1 França
Áustria 2x1 Romênia / França 1x0 Lituânia

Classificação
1. Sérvia.......12 (5J)
2. França.......10 (5)
3. Lituânia......9 (6)
4. Áustria.......7 (5)
5. Romênia.......4 (5)
6. Ilhas Faroe...1 (4)

Próximos jogos
06/06 - Lituânia x Romênia / Sérvia x Áustria
10/06 - Ilhas Faroe x Sérvia

Duas vezes Ribery, e duas vezes no final do jogo. A França suou, novamente não jogou bem, mas se recuperou dentro do Grupo 7 e agora já aparece com condições maiores de brigar pela vaga. A Lituânia mostrou que tem um time encardido e vendeu caro as duas derrotas, mas deve ficar pelo caminho. O grande empecilho para a classificação direta dos Bleus é a Sérvia, que venceu a Romênia fora de casa por 3 a 2 e segue firme na liderança. O duelo decisivo entre as duas equipes acontece apenas em setembro, em Belgrado. Com a derrota, a Romênia deu adeus às chances de classificação, já que foi derrotada novamente, três dias depois, pela Áustria, que estreou o técnico Didi Constantini. O jovem prodígio Erwin Hoffer, do Rapid Viena, marcou os dois gols. A Áustria ainda sonha, mas precisaria vencer todos os seus jogos - incluindo fora de casa contra sérvios e franceses.

Grupo 8

Resultados
Irlanda 1x1 Bulgária / Chipre 2x1 Geórgia / Montenegro 0x2 Itália
Bulgária 2x0 Chipre / Itália 1x1 Irlanda / Geórgia 0x0 Montenegro

Classificação
1. Itália......14 (6J)
2. Irlanda.....12 (6)
3. Bulgária.....7 (5)
4. Chipre.......4 (5)
5. Montenegro...3 (5)
6. Geórgia......3 (7)

Próximos jogos
06/06 - Bulgária x Irlanda / Chipre x Montenegro

A Itália segue com as campanhas de sempre nas Eliminatórias: sólidas, mas sem nenhum brilho. Uma vitória burocrática sobre Montenegro e um empate em casa com a Irlanda - conquistado no final do jogo pelo veterano Robbie Keane mantém tudo como está: a Azzurra tranquila na primeira posição e os irlandeses firmes na segunda. A Bulgária é a única que pode ameaçar a vice-liderança irlandesa, pois tem um jogo a menos e recebe os rivais diretos na próxima rodada. Mas como o time de Stanimir Stoilov empatou os primeiros quatro jogos e só venceu a primeira agora, contra o Chipre, é difícil imaginar que uma reviravolta aconteça.

Grupo 9

Resultados
Holanda 3x0 Escócia
Escócia 2x1 Islândia / Holanda 4x0 Macedônia

Classificação
1. Holanda....15 (5J)
2. Escócia.....7 (5)
3. Islândia....4 (5)
4. Macedônia...3 (4)
5. Noruega.....2 (3)

Próximos jogos
06/06 - Macedônia x Noruega / Islândia x Holanda
10/06 - Macedônia x Islândia / Holanda x Noruega

O grupo 9 é, talvez, o mais póximo de um desfecho - até mais que a chave da Espanha. Também com 100% de aproveitamento, a Holanda entra duas vezes em campo no mês de junho e pode ser o primeiro europeu a carimbar o passaporte - basta vencer um dos próximos dois encontros. O time de Bert van Marwijk tem a melhor defesa do continente (sofreu apenas um gol, na estreia) e deve assistir de camarote a briga pelo segundo lugar. A Escócia tem sete pontos, mas a Noruega conta com dois jogos a menos - no confronto direto, a partida acontece em gramados noruegueses.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Eliminatórias - março/abril - Europa

As Eliminatórias européias estão perto de sua metade e nada menos que 43 partidas agitam a semana. Como são nove grupos, vamos passar rapidamente por todos eles, para que o post não fique enorme. Análise mais detalhada ao final da rodada.

Grupo 1

Classificação
1. Dinamarca...7 (3J)
2. Hungria.....7 (4)
3. Albânia.....6 (5)
4. Portugal....5 (4)
5. Suécia......5 (3)
6. Malta.......1 (5)

Jogos
28/03: Albânia x Hungria / Portugal x Suécia / Malta x Dinamarca
01/04: Hungria x Malta / Dinamarca x Albânia

Portugal joga bastante pressionado no Estádio do Dragão não só pela péssima quarta colocação na chave, mas também pelos resultados recentes, incluindo uma derrota de 6 a 2 para o Brasil em amistoso. Enquanto Carlos Queiroz fica na dúvida se poderá contar ou não com Deco, a Suécia tem desfalque certo de Ibrahimovic, suspenso. Com dois jogos teoricamente fáceis, a Dinamarca pode se distanciar na ponta.

Grupo 2

Classificação
1. Grécia.......9
2. Israel.......8
3. Suíça........7
4. Letônia......4
5. Luxemburgo...4
6. Moldávia.....1

Jogos
28/03: Luxemburgo x Letônia / Moldávia x Suíça / Israel x Grécia
01/04: Suíça x Moldávia / Grécia x Israel / Letônia x Luxemburgo

Fica fácil fazer análises mais apuradas no Grupo 2, já que todos os times têm o mesmo número de jogos. A Suíça tem uma oportunidade de ouro de assumir a liderança: pega duas vezes a lanterna Moldávia, enquanto Grécia e Israel fazem dois confrontos diretos seguidos. Benayoun, voltando de contusão, será fundamental na tentativa israelense de voltar à Copa após 40 anos. O principal desfalque é Kostas Katsouranis, suspenso.

Grupo 3

Classificação
1. Eslováquia.........9 (4J)
2. Irlanda do Norte...7 (5)
3. Rep. Tcheca........7 (4)
4. Polônia............7 (4)
5. Eslovênia..........7 (4)
6. San Marino.........0 (5)

Jogos
28/03: Irlanda do Norte x Polônia / Eslovênia x Rep. Tcheca
01/04: Irlanda do Norte x Eslovênia / Polônia x San Marino / Rep. Tcheca x Eslováquia

De longe a chave mais equilibrada, o Grupo 3 está completamente aberto e, aparte o duelo entre Polônia e San Marino, todos os outros são confrontos diretos. Com tanta igualdade assim, é provável que o segundo colocado acabe sendo o único de fora da repescagem. A República Tcheca, com dois jogos difíceis, continuará sem Tomas Rosicky, machucado. Quem tem chance de se distanciar é a Irlanda do Norte, que faz dois jogos em casa.

Grupo 4

Classificação
1. Alemanha.......10 (4J)
2. Rússia..........6 (3)
3. País de Gales...6 (4)
4. Finlândia.......4 (3)
5. Azerbaijão......1 (3)
6. Liechtenstein...1 (3)

Jogos
28/03: País de Gales x Finlândia / Rússia x Azerbaijão / Alemanha x Liechtenstein
01/04: País de Gales x Alemanha / Liechtenstein x Rússia

Após uma campanha tranquila nas Eliminatórias, a Alemanha vacilou nos amistosos recentes: as derrotas para Inglaterra e Noruega acenderam o sinal amarelo no Nationalelf. A chance e de ouro para a recuperação, ao receber Liechtenstein em Leipzig. Entretanto, a partida fora de casa contra País de Gales pode ser traiçoeira e a Rússia, com dois jogos fáceis, pode encostar de vez, e com um jogo a menos.

Grupo 5

Classificação
1. Espanha..12
2. Turquia...8
3. Bélgica...7
4. Bósnia....6
5. Estônia...1
6. Armênia...0

Jogos
28/03: Espanha x Turquia / Armênia x Estônia / Bélgica x Bósnia
01/04: Estônia x Armênia / Bósnia x Bélgica / Turquia x Espanha

A seleção sensação e número 1 do Ranking da Fifa terá uma bela prova para manter seus 100% de aproveitamento nas Eliminatórias: recebe a Turquia no Santiago Bernabéu e logo em seguida vai a Istambul. Vicente del Bosque não terá Iniesta, contundido, enquanto os turcos têm a volta de Nihat Kahveci. A Bélgica torce pela Fúria e tenta vencer a Bósnia para assumir a segunda posição, mas dado o retrospecto recente, os bósnios é que parecem favoritos no confronto.

Grupo 6

Classificação
1. Inglaterra...12 (4J)
2. Croácia.......7 (4)
3. Ucrânia.......7 (3)
4. Belarus.......3 (3)
5. Casaquistão...3 (4)
6. Andorra.......0 (4)

Jogos
01/04: Inglaterra x Ucrânia / Casaquistão x Belarus / Andorra x Croácia

O grupo mais atrasado continuará assim, já que será o único a ter apenas uma rodada. A Inglaterra, provavelmente sem Shaun Wright-Phillips, faz amistoso com a Eslováquia em Wembley e depois recebe a Ucrânia. A Croácia deverá vencer Andorra sem dificuldades e confirmará o segundo lugar.

Grupo 7

Classificação
1. Sérvia........9 (4J)
2. Lituânia......9 (4)
3. França........4 (3)
4. Áustria.......4 (4)
5. Romênia.......4 (3)
6. Ilhas Faroe...1 (4)

Jogos
28/03: Lituânia x França / Romênia x Sérvia
01/04: Áustria x Romênia / França x Lituânia

O grupo 7 é o que deverá trazer mais emoção neste final de semana. A França do pressionadíssimo técnico Raymond Domenech enfrenta duas vezes a surpreendente Lituânia, líder ao lado da Sérvia. O principal desfalque é o atacante Nicolas Anelka. Ainda que tenham um jogo a menos, os Bleus não podem sequer pensar em um empate em Kaunas. A Sérvia enfrenta a vice-lanterna Romênia e não terá jogo fácil. Os romenos pegam ainda a Áustria em Klagenfurt, e quem perder pontos estará fora da disputa.

Grupo 8

Classificação
1. Itália......10 (4J)
2. Irlanda.....10 (4)
3. Bulgária.....3 (3)
4. Chipre.......2 (3)
5. Geórgia......2 (5)
6. Montenegro...1 (3)

Jogos
28/03: Chipre x Geórgia / Montenegro x Itália / Irlanda x Bulgária
01/04: Itália x Irlanda / Geórgia x Montenegro / Bulgária x Chipre

Itália ou Irlanda? Não, não é uma briga de rua de Nova York nem um remake da primeira fase da Copa de 94. O grupo 8 já parece definido e a única dúvida é se os irlandeses conseguirão surpreender e mandar os campeões mundiais para a repescagem. O primeiro dos dois confrontos acontece quarta-feira, em Bari. Marcelo Lippi não contará com Luca Toni e Alberto Gilardino, enquanto Giovanni Trappatoni não terá Damien Duff. Duelo interessante de técnicos italianos pela primeira posição.

Grupo 9

Classificação

1. Holanda.....9 (3J)
2. Escócia.....4 (3)
3. Islândia....4 (4)
4. Macedônia...3 (3)
5. Noruega.....2 (3)

Jogos
28/03: Holanda x Escócia
01/04: Escócia x Islândia / Holanda x Macedônia

Finalmente, no único grupo com cinco equipes a Holanda pode praticamente garantir a classificação se bater Escócia e Macedônia, ambas em Amsterdã. A Noruega, surpreendentemente na lanterna, folga na rodada e pode ficar para trás, sonhando apenas com a repescagem.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Craques das Copas - Franz Beckenbauer




Beckenbauer é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes jogadores de todos os tempos. Como jogador, redefiniu o papel de líbero e conquistou a Copa de 74, em sua terra natal. Como treinador, levou a Alemanha ao tri em 90, na Itália. De rara técnica e extremamente aplicado em campo, o "Kaiser", como foi apelidado, havia nascido para brilhar.

Começou sua carreira aos 9 anos, no time mirim do SC München 06, indo para o Bayern quatro anos depois. Sua estréia no time principal só aconteceria em 64, jogando de ala esquerdo. Um ano depois, aos 20, já foi convocado pela primeira vez para a seleção alemã. Na Copa de 66, era titular na zaga e, mesmo assim, marcou dois gols contra a Suíça na primeira fase, um contra o Uruguai nas quartas-de-final e outro contra a União Soviética na semifinal. A derrota para os ingleses na final foi doída, mas ele estava certo de que chegaria a sua vez.

Em 69, uma temporada dourada no Bayern de Munique: campeão da Copa da Alemanha e do campeonato nacional. Em 70, no México, ele tentaria o título mundial novamente. Como capitão da seleção, Beckenbauer possuía muito mais responsabilidade em campo, e por isso marcou apenas um gol na Copa, mas um gol que valeu muito: foi contra a Inglaterra, nas quartas-de-final, a vingança pela derrota de quatro anos antes.

Sua determinação foi posta à prova na semifinal contra a Itália, quando o `Kaiser` disputou boa parte do jogo com o braço enfaixado junto ao corpo, demonstrando a vontade de vencer. A Alemanha perdeu para a Itália e ficou com o terceiro lugar, mas o público não esqueceria tão cedo a demonstração de garra daquele alemão.

Após conquistar o tricampeonato nacional, o `Kaiser` tinha a missão de levar a seleção à conquista do bicampeonato em sua própria nação, que organizaria a Copa de 74. E ele não os desapontou. A essa altura, ele já jogava na posição que revolucionou: líbero, atrás da defesa, organizando o time e ajudando também ofensivamente. Juntamente com Gerd Müller e Paul Brietner, Beckenbauer atendeu ao clamor da massa alemã e foi o primeiro capitão a levantar a Taça FIFA, após um início conturbado na primeira fase. Embora não tenha marcado nenhum gol nesta campanha, Beckenbauer a reconhece de longe como a mais memorável, pelo fato da seleção ter vencido os holandeses, que chegaram à final com todo o favoritismo. O sonho do Kaiser estava concretizado.

Após a Copa, o Bayern conquistou três títulos europeus consecutivos, um recorde até hoje. O time, que fora a base da seleção campeã mundial, encantou a todos e era, de longe, o melhor time do mundo na época. Em 77, Beckenbauer aceitou o convite do Cosmos, de Nova Iorque, e foi jogar ao lado de Pelé. Apesar de ter ficado lá por três anos e conquistar três campeonatos nacionais, Beckenbauer achou que a experiência não deu muito certo e ele voltou, já fora da seleção. Jogou duas temporadas no Hamburgo, encerrando sua participação no campeonato alemão com 44 gols em 424 jogos. Em 83, voltou para o Cosmos para encerrar definitivamente a carreira.

Logo no ano seguinte, foi escolhido como técnico da seleção alemã, levando-a ao vice-campeonato em 86, no México, e dando seqüência ao trabalho, levou o time à conquista do tri na Itália em 90, terminando a Copa de forma invicta. Após a conquista, deixou o comando da seleção para tornar-se técnico e depois presidente do seu clube de coração, o Bayern de Munique, onde ficou até 98. Eleito para a vice-presidência da Federação Alemã de Futebol, trabalhou ativamente no Comitê Organizador da Copa de 2006.

Nome: Franz Beckenbauer
Data de nascimento: 11/09/1945
Local: Munique, Alemanha

Carreira:

Em clubes:
1954 a 1958: SC München 06
1958 a 1977: FC Bayern Munich
1977 a 1980 e 1983: New York Cosmos
1980 a 1982: Hamburg SV

Na seleção:
14 gols (4 na Copa de 66 e 1 na Copa de 70) em 103 jogos (50 como capitão)

Como técnico:
1984 a 1990: Seleção alemã
1990 e 1991: Olympique de Marselha
1994 e 1996: Bayern de Munique

Títulos:

Como jogador:
Campeão da Copa de 1974
Pentacampeão alemão (1969, 1972, 1973, 1974 e 1982)
Tetracampeão da Copa da Alemanha (1966, 1967, 1969 e 1971)
Tricampeão da Copa Européia de Clubes (1974, 1975 e 1976)
Tricampeão da Liga Norte Americana (1977, 1978 e 1980)

Como técnico:
Campeão da Copa de 90
Campeão alemão de 1994
Campeão da Copa da UEFA em 1996

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ranking da FIFA - março 2009

A Fifa divulgou nesta quarta-feira a parcial de março do ranking mensal de seleções. Com apenas 52 jogos realizados no período - a maioria amistosos -, não houve alterações significativas nas posições. A mudança mais significativa foi a volta de Portugal ao top 10, subindo dois lugares e tirando a Turquia da lista dos dez mais. Entre os primeiros, a Rússia trocou de posição com a Inglaterra, ficando em 8º.

A Espanha segue na liderança, seguida por Alemanha e Holanda. O Brasil ainda é quinto, mas diminuiu a vantagem da Itália após a vitória sobre os rivais no clássico. Dentre os que mais subiram, a Noruega aparece em 45º após vencer a Alemanha em amistoso, subindo 11 lugares. Quem mais melhorou foi Guiné Equatorial, galgando 15 postos até a 109ª colocação. O Chipre, em 84º, subiu 14.

Por outro lado, quem mais caiu foi a Eslováquia (11 posições), chegando à 53ª posição, graças a derrotas para a Ucrânia e exatamente para o Chipre.

A próxima edição do ranking será divulgada no dia 8 de abril, e as mudanças deverão ser mais profundas, já que teremos rodada das Eliminatórias em todos os continentes no final deste mês.

Confira os 20 primeiros colocados no ranking de março:

domingo, 1 de março de 2009

História das Copas - Suécia 1958 (parte II)

Quartas-de-final

Após o empate sem gols contra a Inglaterra, outro país britânico seria o adversário do Brasil, desta vez pelas quartas-de-final. O País de Gales havia eliminado a Hungria, que não era a mesma de quatro anos antes, mas ainda era uma força. O Brasil jogou sem Vavá, que havia sofrido um corte no tornozelo na partida contra a União Soviética. Em seu lugar, entrou Mazzola. O jogo foi equilibrado, apesar da grande diferença técnica entre os times. O Brasil chutava mais, obrigando o goleiro Kelsey a fazer grandes defesas, mas mesmo assim a seleção canarinho só conseguia arriscar de longe. Quando começou o segundo tempo e o jogo permanecia sem gols, os brasileiros começaram a se irritar.

Até que, aos 26 minutos, Didi lançou para Zagallo, que driblou dois marcadores e tocou para Pelé, dentro da área. Em um espaço reduzidíssimo, o número 10 chapelou Mel Charles e completou no canto direito de Kelsey, um chute indefensável. Foi o único gol do Brasil na partida, mas nem precisava mais. A platéia, sim, platéia, pois o gol fora um espetáculo, assistia admirada ao nascimento de um mito. O primeiro gol de Pelé em uma Copa é uma imagem viva na memória de todos os brasileiros, mesmo quase 50 anos depois. Ah, depois do gol o Brasil dominou a partida e administrou o placar com facilidade, mas isso é um mero detalhe.

Nas outras partidas, a Suécia jogou mal mas venceu a União Soviética de Yashin por 2 a 0, abrindo o placar logo aos 4 minutos. A atual campeã, Alemanha, venceu a Iugoslávia pelo placar mínimo, fechando-se totalmente na defesa após o gol de Rahn, logo aos 12 minutos do primeiro tempo. Ambas as seleções iriam se enfrentar na semifinal.

Já a adversária do Brasil seria a França, que goleou a Irlanda do Norte por 4 a 0, com dois gols do artilheiro Just Fontaine. Apesar de um amplo domínio territorial irlandês, os franceses eram mais habilidosos e, principalmente, mais eficientes com a bola no pé. Seria uma semifinal emocionante, entre as duas seleções com o futebol mais vistoso da Copa.

Semifinais

Após um jogo truncado, na semifinal o Brasil mostrou o melhor de seu futebol, massacrando o também ofensivo time francês. Logo aos dois minutos, Vavá abriu o placar após passe de Garrincha. Os franceses não se abateram e Fontaine empatou sete minutos depois. A partida seguiu movimentada e Didi desempatou já no final do primeiro tempo. Na volta do intervalo, Pelé ampliou e os franceses perderam o controle, abusando das faltas violentas. Aos 19 minutos, Pelé fez 4 a 1 e o time de Fontaine se entregou. Zagallo fechou o caixão francês com o quinto gol e, embora Piantoni tenha diminuido, o resultado já era conhecido: o Brasil estaria, pela segunda vez, numa final de Copa.

O adversário do Brasil seria a dona da casa, Suécia, que em uma semifinal muito nervosa derrotou a Alemanha por 3 a 1. Schäffer abriu o placar para os atuais campeões aos 24 do primeiro tempo, acabando com a monotonia do jogo. Quando se esperava um domínio alemão, o que se viu foi uma reação sueca e, aos 32 minutos, Skoglund empatou. Na segunda etapa, com a partida novamente empatada, os times se fecharam e pouco criaram. Quando tudo se encaminhava para uma prorrogação, Gren aproveitou uma bobeira da defesa e ampliou para os anfitriões, levando o estádio ao delírio, que aumentou ainda mais quando, em um contra-ataque, Hamrin selou a vitória e levou os suecos à final da Copa, para enfrentar os brasileiros. Era um sonho que se tornava realidade, tanto para os milhares de suecos como para um menino brasileiro de 17 anos.

A decisão

Em Gotemburgo, um dia antes da final, a França massacrou a Alemanha por 6 a 3, com quatro gols de Fontaine, sacramentando a artilharia com o maior número de gols em uma Copa até hoje e coroando a boa campanha francesa desde o início da competição. A Alemanha via ser enterrado de forma melancólica o sonho de conquistar o bicampeonato.

Foi na tarde de 29 de junho de 1958 que onze brasileiros subiram ao gramado do estádio Rasunda, em Estocolmo, para fazer história. O Brasil chegava à sua segunda final de Copa do Mundo, novamente com status de favorito, mas dessa vez em uma posição contrária à de 1950: agora, não era o time da casa, mas o time adversário.

Todo um trabalho psicológico foi feito para que o Maracanazzo não se repetisse. O Brasil entrou confiante mas, logo aos três minutos, Liedholm abriu o placar, para o desespero dos brasileiros. O filme de 1950 passou pela cabeça de todos, mas Vavá tratou de afastar logo a nuvem que pairava, empatando seis minutos depois. Aos 32, o atacante do Vasco ampliou, e aí o domínio do jogo já era totalmente brasileiro. A Taça Jules Rimet parecia já haver carimbado seu passaporte para o Brasil.

Ao final do primeiro tempo, a torcida sueca aplaudia o Brasil, já que haviam apoiado o escrete canarinho durante toda a competição. Na segunda etapa, logo aos 10 minutos, Pelé ampliou com um gol antológico, chapelando um zagueiro e fuzilando. Treze minutos depois, Zagallo aproveitou um rebote e fez 4 a 1. Simonsson diminuiu a dez minutos do fim, mas Pelé fechou a contagem no último minuto da partida. Após a partida, os jogadores pareciam desorientados. Mas sim, éramos campeões do mundo, e sim, nascia um mito.

VI Copa do Mundo - 1958 - Suécia

Campeão: Brasil
Vice: Suécia
3º: França
4º: Alemanha

Período: de 8 a 29 de junho de 1958 
Total de jogos: 35 
Gols marcados: 126 
Média de gols: 3,6 por partida 
Artilheiro: Just Fontaine (França) - 13 gols

Público total: 868.000 pagantes 
Média de público: 24.800 pagantes

O Brasil: CAMPEÃO - 6 jogos (5V e 1E), 16GP/4GC
Jogos: Primeira fase: Brasil 3x0 Áustria (Mazola (2) e Nilton Santos)
Brasil 0x0 Inglaterra
Brasil 2x0 União Soviética (Vavá (2))
Quartas-de-final: Brasil 1x0 País de Gales (Pelé)
Semifinal: Brasil 5x2 França (Pelé (3), Vavá e Didi; Fontaine e Piantoni)
Final: Brasil 5x2 Suécia(Vavá (2), Pelé (2) e Zagallo; Liedholm e Simonsson)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

História das Copas - Suécia 1958 (parte I)

A escolha da sede da Copa de 1958 recebeu a mesma justificativa de quatro anos antes: por ter ficado neutra na Segunda Grande Guerra, a Suécia não sofreu muitos danos estruturais e poderia receber a competição com condições excelentes. A cada Copa, o número de seleções inscritas para participar aumentava e dessa vez não foi diferente. 53 países demonstraram à FIFA o interesse de disputar a primeira Copa sem seu idealizador, Jules Rimet, que havia morrido dois anos antes. Como de costume, o país sede e o atual campeão classificaram-se diretamente. O Brasil enfrentou dificuldades pela primeira vez, mas venceu o Peru e carimbou o passaporte rumo à Suécia, junto com Paraguai e Argentina, que voltava finalmente a disputar uma Copa depois de 24 anos.

Na Europa, a Hungria tinha um time desfigurado após a formação da União Soviética e, embora tenha conseguido se classificar, não passou da primeira fase. Talvez a ausência mais sentida foi a da seleção espanhola, com jogadores como Di Stefano, Kubala e Suárez, craques do Real Madrid que venceu três vezes a Copa dos Campeões da Europa na década de 50. Além dos espanhóis, a Itália ficou de fora da Copa pela primeira vez, ao ser eliminada pela Irlanda do Norte, e a Inglaterra não conseguiu se classificar desfalcada que estava de oito jogadores do Manchester United que morreram em um acidente de avião em fevereiro do mesmo ano.

Primeira fase

O regulamento da Copa do Mundo se estabilizou em 58, mudando apenas em 74. Os 16 times eram divididos em quatro grupos de quatro, passando os dois melhores para as quarta-de-final, indo no mata-mata até a decisão. O Brasil, apontado pelos jornalistas suecos como favorito à conquista do título junto com a União Soviética e a Argentina, não teve dificuldades em sua estréia, vencendo a Áustria por 3 a 0, ainda que não tenha produzido tanto quanto se esperava. O segundo jogo, contra a Inglaterra, era muito esperado por todos, prometendo um belo espetáculo. O jogo, entretanto, foi tenso até o apito final, que ao soar registrou o primeiro 0 a 0 da história das Copas. A partida contra a União Soviética tornara-se crucial: se perdesse, o Brasil estaria eliminado.

Antes da partida, diz a lenda que alguns jogadores se reuniram com o técnico Vicente Feola e pediram mudanças no time. Garrincha, Pelé e Zito entraram, então, nos lugares de Joel, Dida e Dino Sani. Seria a primeira participação em Copas de um menino de apenas 17 anos, o mais jovem até então a disputar uma Copa. O time soviético era muito forte, mas o Brasil pressionou no início e marcou 1 a 0 com Vavá. O jogo foi se equilibrando, mas Garrincha, um mané botafoguense de pernas tortas, complicou a vida dos adversários e ajudou a construir a fama do goleiro Lev Yashin, obrigando-o a desempenhar grandes defesas. No segundo tempo, Vavá ampliou para a festa dos brasileiros, especialmente de um garoto que começaria a brilhar a partir dali.

A União Soviética venceu a partida-desempate contra a Inglaterra e também se classificou no Grupo 4. No Grupo 1, zebra atrás de zebra. A Irlanda do Norte derrotou a Tchecoslováquia, que aplicou uma goleada de 6 a 1 nos argentinos. Eliminados no saldo de gols, os argentinos que eram favoritos voltaram para casa mais cedo e viram a Irlanda do Norte vencer os tchecos novamente para garantir o segundo lugar do grupo, atrás da Alemanha, que venceu os argentinos e empatou os dois jogos restantes.

No Grupo 2, a França apresentava ao mundo seu atacante, Just Fontaine, que marcou 3 na goleada de 7 a 3 sobre o Paraguai. França e Iugoslávia classificaram-se às quartas-de-final, ao passo que Paraguai e Escócia voltaram para casa com um ponto cada. Finalmente, no grupo 3, a Hungria, enfraquecida pelo bloqueio comunista, não foi nem sombra do time de quatro anos antes, sendo eliminada pelo País de Gales no jogo-desempate. A Suécia, anfitriã, desempenhou bem o seu papel a vencer dois jogos e empatar um.

Estavam definidas as quartas-de-final: Alemanha x Iugoslávia, França x Irlanda do Norte, Suécia x União Soviética e Brasil x País de Gales.