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segunda-feira, 25 de maio de 2009

História das Copas - Inglaterra 1966 (parte II)

Ao se classificar para enfrentar Portugal, a sensação da Copa, a Coreia do Norte já havia conquistado um grande feito, e muitos imaginavam que pararia por ali. Mas não foi o que os coreanos queriam: logo a um minuto de jogo, Seung Zin Pak abriu o placar, espantando a todos. Mas isso não era tudo: Li e Yang ampliaram para uma surpreendente vantagem de 3 a 0.

O time português parecia liquidado, mas dois gols de Eusébio, um de pênalti quando o primeiro tempo já terminava, animaram novamente os lusitanos, que voltaram com tudo para o segundo tempo e jogaram uma partida memorável, virando o placar para 5 a 3, um dos maiores jogos de todos os tempos. Acabava ali a aventura norte-coreana.

Nos outros jogos, a Alemanha não teve dificuldades para massacrar o Uruguai por 4 a 0, diferente dos donos da casa, que só marcara um gol na Argentina a 12 minutos do fim. No outro jogo das quartas-de-final, a União Soviética venceu a Hungria por 2 a 1 em uma partida muito truncada. Os portugueses enfrentariam agora os anfitriões em uma semifinal, enquanto que os alemães duelariam contra os soviéticos.

O encanto português acabou na semifinal, ao perder por 2 a 1 para os ingleses, em um jogo onde Eusébio pouco apareceu, apsar de ter marcado o gol de honra de pênalti já no fim do jogo. A Inglaterra enfrentaria na final a Alemanha, que derrotou a União Soviética de Lev Yashin pelo mesmo placar, com gols de Haller e Beckenbauer. Portugal ainda contentou-se com o terceiro lugar, liderado novamente pelo craque Eusébio, que marcou um gol na vitória por 2 a 1 sobre os soviéticos.

No dia 30 de julho, 93 mil espectadores aguardavam pela final, que não decepcionou a ninguém pela emoção. Haller abriu o placar para os alemães quando o jogo mal começara e logo depois Hurst empatou. Já no final do segundo tempo, Peters virou para os ingleses, levando o público ao delírio. Mas a Alemanha empatou quando o jogo já terminava. Uma prorrogação tensa aguardava a todos. Hurst marcou um dos gols mais polêmicos da história das Copas: a bola bateu no travessão e caiu em cima da linha.

O juiz suíco Gottfried Dientz, após titubear um pouco, confirmou o gol inglês, levando os alemães ao desespero e esfriando seus ânimos. A Alemanha não conseguiu mais reagir, e Hurst marcou ainda mais um gol, confirmando o título dos inventores do futebol em seu próprio templo.

VIII Copa do Mundo - 1966 - Inglaterra

Campeão: Inglaterra
Vice: Alemanha
3º: Portugal
4º: União Soviética

Período: de 11 a 30 de julho de 1966
Total de jogos: 32
Gols marcados: 89
Média de gols: 2,78 por partida
Artilheiro: Eusébio (Portugal) - 9 gols

Público total: 1.614.677 pagantes
Média de público: 50.459 pagantes

O Brasil: 11º lugar - 3 jogos (1V e 2D), 4GP/6GC
Jogos: Primeira fase: Brasil 2x0 Bulgária (Pelé e Garrincha)
Brasil 1x3 Hungria (Tostão; Bene, Farkas e
Brasil 1x3 Portugal (Rildo; Eusébio (2) e Simões)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

História das Copas - Inglaterra 1966 (parte I)

Os inventores do futebol foram presenteados pela FIFA com a organização do Mundial de 66. Semanas antes do início da Copa, a taça Jules Rimet foi roubada e achada misteriosamente num lixão por um cachorro chamado Pickles. Muitos, entretanto, acreditam que a história seja uma farsa, apenas para promover o torneio.

A preparação do Brasil foi bastante turbulenta, sofrendo várias derrotas em amistosos e padecendo de uma péssima organização. O técnico Vicente Feola era duramente criticado por não definir um time titular e um esquema de jogo.

Além do Brasil e da anfitriã Inglaterra, Portugal de Eusébio - que se classificara de maneira invicta eliminando os vice campeões tchecos - e Alemanha eram cotados como favoritos. Argentina, Uruguai e Chile foram os outros representantes da América do Sul, enquanto a Coréia do Norte qualificou-se de maneira heróica ao derrotar a Austrália, após a desistência da Coréia do Sul. Todavia, não era a primeira peça que os norte-coreanos iriam pregar. Na Europa, os favoritos Espanha, Itália e França se classificaram, enquanto que o México foi, mais uma vez, o representante da Concacaf.

O Brasil foi à Inglaterra a passeio. Essa é a conclusão que se pode tirar do desastre canarinho na terra da rainha. Cedendo a pressões, o técnico Vicente Feola convocou 44 jogadores para a preparação da Copa, definindo os 22 escolhidos apenas duas semanas antes do início do Mundial. Ainda com toda essa bagunça, o Brasil conseguiu vencer na estréia, derrotando a Bulgária por 2 a 0, com gols de Pelé e Garrincha, de falta. Pelé, entretanto, machucou-se logo na primeira partida, assim como havia acontecido em 62. Os zagueiros caçavam-no em campo de maneira tão feroz que o Rei conviveu com outro drama: suas únicas duas contusões sérias foram nas Copas de 62 e 66. No segundo jogo, uma derrota inexplicável para a já frágil Hungria por 3 a 1. Tostão fez o gol de honra brasileiro.

Para o jogo decisivo contra Portugal, um reforço inesperado: Pelé estava recuperado e jogaria. O técnico brasileiro sofria pressão de todos os lados e trocou nove jogadores do time que perdera para os húngaros. Novamente, Pelé foi caçado em campo e, novamente, a falta de entrosamento causada pelo despreparo custou ao Brasil a vitória: 3 a 1 para o empolgado time português, comandado por Eusébio, o craque da Copa. Era o fim do sonho do tri consecutivo.

A eliminação do Brasil na primeira fase não foi a única - e nem a maior - surpresa dessa Copa. Os norte-coreanos aprontaram o que, se levadas em conta as condições, foi a maior zebra da história das Copas. Após perderem para a União Soviética por 3 a 0 e arrancarem um empate sofrido com o Chile, a Coréia do Norte enfrentou a Itália, favorita do jogo, sem muitas pretensões. Talvez o salto alto tenha sido o fator principal que custou a vitória aos italianos: no final do primeiro tempo, Doo Ik Pak marcou o gol histórico que eliminou a Squadra Azurra da Copa. Mas as façanhas coreanas, acreditem, não pararam por aí.

No grupo 1, os anfitriões ingleses classificaram-se sem dificuldades após 2 vitórias e um empate, juntamente com o Uruguai. O México conseguiu dois empates e terminou na frente da França, embora ambos tenham sido eliminados. No Grupo 2, Alemanha e Argentina se classificaram, em mais um fracasso espanhol. Estavam então definidas as quartas-de-final: Inglaterra x Argentina, União Soviética x Hungria, Alemanha x Uruguai e Portugal x Coréia do Norte.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Craques das Copas - Bobby Charlton


Sobrevivente do desastre aéreo de Munique e campeão da Copa de 66 mas, acima de tudo, um grande jogador. Robert Charlton, ou "Sir Bobby", como é conhecido, construiu em campo a fama de jogador firme, mas leal. Sua maior característica era a versatilidade: apesar de possuir um físico forte, distribuía bolas como poucos, colocando sempre os adversários na cara do gol. Além disso, seu potente chute rendeu-lhe 49 gols em 106 jogos pelo English Team: o recorde de tentos pela seleção é ainda mais espantoso se considerado que ele era um meio-campo defensivo.

Começou a jogar bola no time de sua escola, o East Northumberland, até que, aos 15 anos, foi visto por Matt Busby, dirigente do Manchester United. Galgou seu espaço nas categorias de base do clube e estreou na equipe principal três anos depois, marcando dois gols na vitória de 4 a 2 sobre o Charlton Athletic. Naquele ano, o Manchester foi campeão inglês e Bobby marcou 10 gols em 14 partidas, uma média excelente. Uma temporada vencedora mas que sofreria um grave golpe: em fevereiro daquele mesmo ano de 1958, o avião que levava o time para o jogo contra o Bayern de Munique, válido pela Copa Européia, sofreu um acidente que matou oito jogadores. Bobby escapou sem nenhum arranhão, embora o sofrimento pela perda dos colegas tenha sido maior que qualquer coisa.

A seleção inglesa sofreu um duro baque para a disputa da Copa de 58 e o Manchester só se reergueria cinco anos depois, vencendo a Copa da Inglaterra e conquistando o troféu da Liga em 65 e 67. Bobby foi crucial para a união do time, tendo sido um dos que mais sofreram com o acidente - e um dos poucos que teve condições de continuar jogando após a tragédia. Até que, dez anos depois, Bobby marcou dois gols na vitória de 4 a 1 sobre o Benfica em Wembley, que valeu ao Manchester o título da Copa Européia de Clubes, a atual Liga dos Campeões. Foi a primeira conquista de um clube inglês na competição e uma vitória pessoal para Bobby, que àquela altura era o único jogador do time remanescente do desastre.

Um ano antes, Bobby havia ajudado a seleção inglesa a conquistar a Copa do Mundo organizada em seu país. Titular absoluto da seleção desde a Copa anterior, Bobby e seu irmão Jack, zagueiro, alcançaram a maior glória do English Team em todos os tempos. Os inventores do futebol haviam vencido sua primeira - e até hoje, única - Copa.

Bobby marcou um gol na vitória de 2 a 0 sobre o México na primeira fase e, ainda mais importante, os dois gols da vitória sobre a excelente seleção de Portugal que tinha Eusébio, o craque da Copa. Após a vitória na final, ninguém mais do que ele era um verdadeiro vencedor ao erguer a Taça Jules Rimet. Após a derrota para a Alemanha nas quartas-de-final da Copa de 70, Bobby despediu-se da seleção, aos 32 anos. Ningupem censurou-o, afinal ele havia feito muito mais do que qualquer outro pelo English Team.

Após 20 anos no Manchester, Bobby encerrou sua carreira jogando duas temporadas num time muito mais modesto, o Preston North End, onde além de jogador, era técnico do time. Após pendurar as chuteiras, abriu várias escolinhas de futebol e, em 1984, virou dirigente do Manchester United e foi nomeado para o Comitê de Futebol da FIFA. Recebeu da Rainha Elizabeth a honra máxima que um cidadão britânico pode obter, o título de Cavaleiro Real Britânico, que faz com que todos o chamem de Sir Robert Charlton. Ou Sir Bobby, que também funciona muito bem.

Nome : Robert Charlton
Data de nascimento: 11/10/1937
Local: Ashington, Inglaterra

Carreira:

Em clubes:
245 gols em 751 partidas
1953 a 1972: Manchester United
1973 a 1974: Preston North End (jogador e técnico)

Na seleção:
49 gols em 106 jogos (maior artilheiro da história da seleção inglesa

Títulos:
1966: Campeão da Copa do Mundo
1957, 1965 e 1967: Campeão inglês
1968: Campeão da Copa Européia de Clubes (atual Liga dos Campeões)
1963: Campeão da Copa da Inglaterra

terça-feira, 22 de julho de 2008

Craques das Copas - Eusébio


"Pantera Negra" ou "Pérola Negra". São esses os apelidos mais comuns de Eusébio, o maior jogador português de todos os tempos, que demoliu as defesas adversárias na Copa de 66. Nascido em Moçambique, colônia portuguesa hoje independente, começou aos 16 anos no clube local, o Sporting Club Lourenço Marques. Apesar de não possuir um físico muito avantajado, sua habilidade prevalecia sobre os demais e logo os dois grandes clubes rivais de Lisboa, Sporting e Benfica, brigavam pelo atacante. Após meses de disputas nos bastidores, ele assinou com o Benfica.

Em sua primeira partida no novo clube, o artilheiro nato marcou um gol na vitória sobre o Santos de Pelé, em um amistoso. No campeonato português, alcançou a incrível marca de 317 gols em 301 jogos. Além dos chutes precisos, possuía uma velocidade impressionante. Em 1962, foi a principal estrela da campanha vitoriosa de sua equipe na Copa dos Campeões Europeus (atual Liga dos Campeões), derrotando o poderoso
Real Madrid de Di Stéfano.

Neste mesmo ano, fez sua primeira partida pela seleção portuguesa, após ter se naturalizado. Foi fundamental nas eliminatórias, classificando os portugueses para a Copa pela primeira vez na história. Na primeira fase, marcou um gol contra a Bulgária e dois contra o Brasil. Com a vitória também sobre a já desfigurada Hungria, Portugal avançou em primeiro no grupo e a essa altura já era candidato ao título.

Nas quartas-de-final, seus quatro gols foram fundamentais para a virada histórica contra os surpreendentes norte-coreanos. Entretanto, na semifinal, embora tenha marcado um de pênalti, Eusébio não pôde evitar a derrota para os donos da casa. O terceiro lugar conquistado sobre a União Soviética (com mais um gol do atacante) teve um sabor não muito agradável. Ficou de consolo a artilharia da competição, com nove gols marcados.

Pelo fato de ter jogado a maior parte de sua carreira em Portugal, onde os clubes não eram exatamente do primeiro escalão europeu, a Copa de 66 foi uma das únicas vezes em que todo o mundo pôde ver a genialidade de Eusébio. Os jogadores portugueses ainda estavam muito aquém do nível do "pérola negra" e a seleção não se classificou para as Copas de 70 e 74. No ano da Copa da Alemanha, foi jogar na América do Norte, defendendo clubes dos Estados Unidos e Canadá, voltando a Portugal para disputar mais uma temporada, desta vez no modesto Beira Mar, onde sofreu uma grave contusão no joelho. Voltou, surpreendendo a todos, encerrando sua carreira em 78 no Monterrey, do México.

Nome: Eusébio da Silva Ferreira
Data de nascimento: 25/01/1942
Local de nascimento: Lourenço Marques, Moçambique

Carreira:

Em clubes:
1958 a 1960: Sporting Club Lourenço Marques (Moçambique)
1960 a 1974: Benfica (Portugal) - onde marcou 317 gols em 301 jogos
1974 e 1975: Boston Minutemen (EUA)
1976: Toronto Metros (Canadá)
1976 e 1977: Beira Mar (Portugal)
1977 e 1978: Monterrey (México)

Na seleção:
41 gols em 64 jogos (9 na Copa de 66, onde foi artilheiro isolado)

Títulos:
1962: Campeão Europeu
1961, 1963 a 1965, 1967 a 1969 e 1971 a 1974: Campeão Português
1962, 1964, 1969, 1970 e 1972: Campeão da Copa Portuguesa
7 vezes artilheiro do campeonato português